São Paulo se ajusta à regra e vai investigar 101 casos suspeitos de microcefalia

Estado notificava a ministério 18 casos e descumpria protocolo. No país, número vai a 3.670

Homem trabalha no combate ao Aedes aegypti no México.
Homem trabalha no combate ao Aedes aegypti no México. Pedro PARDO (AFP)

A queda de 7% nas notificações de microcefalia comemorada pelo Ministério da Saúde brasileiro na semana passada não confirmou ser uma tendência, segundo apontam os novos dados do boletim divulgado nesta terça-feira. O número de notificações da condição pelos Estados passou de 4.180 para 4.783, um acréscimo de cerca de 14%. Destes, 404 já foram confirmados e 17 deles tiveram como causa o zika vírus.

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O Estado de São Paulo foi um dos responsáveis pelo aumento. Ele passou a registrar como suspeitos 126 casos, diante dos 18 do boletim anterior. Reportagem publicada pelo EL PAÍS na semana passada mostrou que a Secretaria Estadual da Saúde não notificava ao boletim do ministério todos os casos de microcefalia, como era orientado pelo órgão. O Estado notificava para o boletim apenas os casos suspeitos de terem relação com o zika vírus, o que podia trazer prejuízos para a investigação epidemiológica. São Paulo, agora, passou a respeitar a regra. Os 126 casos, segundo a secretaria, aconteceram desde novembro e 25 já foram descartados -101 permanecem em investigação. O número, entretanto, ainda é menor do que o Estado notificou a outro sistema do Ministério, que não é usado para a realização do boletim: 159 entre novembro e dezembro. A reportagem não conseguiu confirmar os motivos da diferença até a conclusão deste texto. 

O aumento total de notificações no país teria sido verificado mesmo sem a diferença de dados de São Paulo, o que indica que novos casos de microcefalia foram registrados pelo restante do país na semana passada em um ritmo maior que na anterior. Segundo o ministério, 3.670 casos suspeitos estão em investigação no momento e 709 já foram descartados.

Um caso é descartado quando se verifica que a medição do perímetro cefálico feita após o nascimento dos bebês não correspondia à microcefalia, ou quando os exames mostram que não havia sinais de uma infecção no cérebro e a microcefalia poderia ser de origem genética ou causada pelo consumo de drogas, por exemplo.

Notificação

Nesta terça-feira, o Ministério da Saúde também afirmou que irá mudar a forma de notificação dos casos de zika vírus atendidos no sistema de saúde.

Antes de os casos de microcefalia aumentarem, a notificação do vírus não era obrigatória. Depois, passou a ser obrigatória apenas para mulheres grávidas. Nos próximos dias, a obrigatoriedade passará a valer para todos os casos.

A falta de notificação obrigatória dificultou que se fizesse um retrato mais fiel do número de casos de pessoas que contraíram o zika vírus no Brasil no ano passado. Há apenas uma estimativa bastante ampla, que gira em torno de 497.593 e 1.482.701 casos suspeitos. Por isso, não é possível saber, por exemplo, quantas gestantes que contraíram zika tiveram bebês com microcefalia.

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