Tempestade Jonas

Nevasca deixa a costa leste dos Estados Unidos submersa em mais de meio metro de neve

Tempestade de neve Jonas causou ao menos 19 mortes no país e afeta 20 Estados

Homem caminha em Washington em meio à nevasca.
Homem caminha em Washington em meio à nevasca.JIM BOURG / REUTERS
Washington / Nova York - 24 ene 2016 - 16:13 UTC

Mais de 36 horas de intensa nevasca e fortes ventos paralisaram a costa leste dos Estados Unidos, que amanheceu neste domingo praticamente submersa em mais de meio metro de neve. A tempestade Jonas é uma das piores da história de Nova York, onde desde a madrugada de sábado se acumulam 68 centímetros de neve sobre o asfalto. Washington, a capital do país, está coberta por um manto de neve de entre 63 e 76 centímetros.

A nevasca paralisa quase um terço dos EUA há três dias e já provocou as mortes de ao menos 19 pessoas. Treze delas, entre elas uma criança de quatro anos, perderam a vida em acidentes de carro relacionados à tempestade de neve, mas outras seis pessoas sofreram paradas cardíacas enquanto tentavam retirar parte da neve do entorno de suas casas. No total, 85 milhões de cidadãos se viram obrigados a permanecer em suas casas perante a situação de emergência.

Apesar de as autoridades locais multarem os moradores que não desobstruam suas calçadas e o acesso às casas, dessa vez, insistiram em que os norte-americanos não deixassem suas residências. Em condições quase nulas de visibilidade, é alta a probabilidade de que os motoristas das máquinas que removem a neve não consigam identificar a presença de pedestres nas calçadas.

Mais informações

Na sexta-feira, a prefeita de Washington, Muriel Bowser, qualificou a situação como “de vida ou morte” para aqueles que ignorarem os alertas e não tomarem as medidas de precaução necessárias.  Os serviços meteorológicos alertam que ao longo do domingo poderia cair, em Washington, entre cinco e sete centímetros de neve por hora e que a visibilidade nula elevava os riscos da situação. A combinação de baixas temperaturas e vento levaram as autoridades a advertirem, antecipadamente, que a maior parte das ruas da cidade podem permanecer bloqueadas até quarta-feira.

Os principais Estados afetados são Carolina do Norte, com quase 150.000 pessoas sem energia elétrica; a região de Maryland e Virgínia que, assim como Washington, começou a sofrer com cortes de eletricidade na manhã do sábado; e Kentucky, um dos primeiros a receber a tempestade na sexta-feira. Ali, centenas de carros ficaram presos em um trecho de 50 km da estrada estadual, e os serviços de emergência trabalhavam para retirá-los do local.

Na Pensilvânia, a nevasca também congelou dezenas de carros, que foram recuperados com a ajuda da Guarda Nacional. Os primeiros efeitos da tempestade Jonas foram sentidos durante a madrugada em Nova York, que amanheceu coberta por 15 cm de neve e em meio a um incomum silêncio.

O governador do Estado de Nova York, Andrew Cuomo, compareceu para advertir que a tempestade não ia a ser breve, que se prolongaria por vários dias. No sábado e no domingo foi proibido dirigir automóveis, e quem descumprisse a ordem poderia ser detido. Já o metrô que circula na superfície deixou de funcionar no sábado à tarde. Os meios de transporte que continuam funcionando circulam com intervalos bastante demorados.

Mais que a neve, o que preocupa é a água. Nos Estados de Nova York e Nova Jersey, ocorreram grandes inundações, superiores às provocadas pelo furacão Sandy em novembro de 2012. "A neve é uma coisa, podemos controlar, mas não é só isso, os ventos de até 96 km/h, e as inundações são o verdadeiro problema, esse é o pior cenário", disse Cuomo à emissora CNN.

A Casa Blanca informou que o cancelamento de mais de 10.000 voos no fim de semana afetou inclusive o vice-presidente dos EUA, Joe Biden, que regressava de uma viagem oficial da Turquia com sua esposa. Ambos tiveram de permanecer em Miami, diante da impossibilidade de aterrizar em Washington.

Os governadores de Nova Jersey, Pensilvânia, Maryland, Virgínia, Carolina do Norte e Geórgia, junto com a prefeita de Washington, tinham declarado estado de emergência na sexta-feira, antes de começar a nevar. As autoridades insistiram durante os dias prévios à chegada da tempestade que ninguém tomasse as estradas.

Em Washington, o funcionamento dos colégios e do sistema de transporte público permanece suspenso desde sexta-feira, para evitar que os cidadãos ficassem presos nas vias, como na quarta-feira à noite.

A capital norte-americana já sofre uma das piores tempestades registradas, mais forte que a de 2010, que deixou 45,2 centímetros de neve acumulada. A prefeitura decretou a suspensão completa do sistema de transporte urbano —incluída a segunda rede de metrô com mais viajantes do país — durante três dias.

Debido a las excepcionales circunstancias, EL PAÍS está ofreciendo gratuitamente todos sus contenidos digitales. La información relativa al coronavirus seguirá en abierto mientras persista la gravedad de la crisis.

Decenas de periodistas trabajan sin descanso para llevarte la cobertura más rigurosa y cumplir con su misión de servicio público. Si quieres apoyar nuestro periodismo puedes hacerlo aquí por 1 euro el primer mes (a partir de junio 10 euros). Suscríbete a los hechos.

Suscríbete
O mais visto em ...Top 50