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Um dia após nota de Tombini, BC mantém taxa de juros em 14,25%

Decisão do não foi unânime. Dois dos diretores votaram pela alta de meio ponto em meio à recessão

O presidente do BC, Alexandre Tombini.
O presidente do BC, Alexandre Tombini.

O Banco Central manteve nesta quarta-feira a taxa básica de juros inalterada em 14,25%  ao ano, em decisão dividida tomada em meio a pressões para que não mexesse na taxa básica de juros, a Selic, diante da forte deterioração da economia. Dois dos diretores do Comitê de Política Monetária (Copom) voltaram pela alta de meio ponto. A decisão do BC provocou reação no mercado. Nesta quinta-feira, o dólar abriu em forte alta ante o real, em meio também as incertezas em relação ao petróleo. O dólar chegou a ser cotado em 4,17 reais por volta das 9h, o maior valor registrado desde setembro. Na véspera, a moeda norte-americana fechou acima de 4,10, após chegar a 4,12 reais.

Em pesquisa Reuters com 43 economistas, oito previam a manutenção da Selic, enquanto 24 estimaram que o BC elevaria os juros em 0,50 ponto percentual e 11 apontaram um aumento de 0,25 ponto. A elevação era a expectativa majoritária até o presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, comentar as projeções de retração para a economia brasileira do FMI (Fundo Monetário Internacional), de menos 3,5% em 2016, na manhã de terça, primeiro dia da reunião do Copom. A comunicação, inusual, influenciou o humor dos operadores de mercado, que passaram a prever alta menor ou estabilidade, em maior sintonia com vozes dentro e fora do Governo, especialmente no PT, que cobravam que a taxa não subisse.

Para vários nomes do PT, incluindo o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, uma alta da taxa de juros dificultaria a retomada do crescimento da economia. “Se a demanda não está crescendo por que aumentar a Selic? Não temos crescimento de demanda, então não há necessidade. Mas como eu não sei as explicações do BC, devemos trabalhar para Selic cair e devemos trabalhar para outros investimentos. Não é porque está 14 por cento que não vamos fazer investimento”, disse Lula em conversa com blogueiros nesta quarta.

A questão divide os analistas e economistas. Para parte deles, a alta na taxa daria um selo de credibilidade ao BC, de que agiria livre de pressões e se mostraria disposto a combater a inflação por meio da alta dos juros. Para outros, no entanto, o quadro recessivo da economia desencoraja a alta da Selic e que, na atual conjuntura, isso nem sequer adiantaria como freio inflacionário, além de desestimular investimentos e encarecer dívidas tanto a dos Governos como as das famílias.

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