Discurso sobre o Estado da União

O já histórico discurso de Obama resumido em frases-chave

Barack Obama concentra seu olhar em um futuro político que já não lhe pertencerá mais

Barack Obama faz último discurso sobre o Estado da União no Congresso.
Barack Obama faz último discurso sobre o Estado da União no Congresso.Evan Vucci (Bloomberg)

Bipartidarismo

“Espero que este ano possamos trabalhar juntos em cima de prioridades bipartidárias, como a reforma da justiça penal, e ajudar as pessoas que estão lutando com a dependência de medicamentos com receita e o abuso de heroína. Talvez consigamos surpreender os cínicos mais uma vez”.

Futuro

"Em meu último discurso neste fórum, não quero apenas falar sobre o próximo ano. Quero me concentrar nos próximos cinco anos, dez anos e ainda mais à frente. Que me concentrar no futuro."

Tempo de mudanças

"Vivemos em um tempo de mudanças extraordinárias. Mudanças que podem ampliar oportunidades ou ampliar desigualdades. E, gostemos ou não, o ritmo dessas mudanças será cada vez mais acelerado. Os Estados Unidos já passaram por grandes mudanças, guerras e depressões, o afluxo de imigrantes, trabalhadores que lutaram por um tratamento justo e movimentos que ampliaram os direitos civis. Todas as vezes, houve quem disse que deveríamos temer pelo futuro. Mas todas as vezes, superamos esses medos. Fizemos com que a mudança atuasse em nosso favor, sempre ampliando a promessa dos Estados Unidos para o exterior, para a fronteira seguinte, para cada vez mais pessoas. E, como fizemos isso, como vimos oportunidades ali onde outros só viam perigos, tornamo-nos mais fortes e melhores do que antes”.

Quatro perguntas-chave

"Primeiro: como dar a cada um a possibilidade justa de ter oportunidades e segurança nesta nova economia?"

MAIS INFORMAÇÕES

"Segundo: como faremos para que a tecnologia jogue ao nosso favor e não contra nós, especialmente quando se trata de resolver os desafios mais urgentes como o da mudança climática?" 

"Terceiro: como faremos para garantir a segurança dos Estados Unidos e liderar o mundo sem nos transformarmos em uma polícia mundial?"

"Quarto: Como faremos para que a nossa política reflita as nossas melhores virtudes em vez dos nossos piores defeitos?”

Economia

"Os Estados Unidos têm hoje a mais forte e mais estável economia do mundo. E, no entanto, tornou-se mais difícil, para uma família trabalhadora, sair da pobreza. Ficou mais difícil, para os jovens, iniciarem suas carreiras e mais difícil, para os trabalhadores, poderem se aposentar quando quiserem. Embora nenhuma dessas tendências seja exclusiva dos Estados Unidos, elas golpeiam a nossa crença, puramente norte-americana, de que todo aquele que trabalha duro deve ter uma oportunidade justa.Temos de fazer com que a universidade seja acessível a todos os norte-americanos. Porque nenhum estudante que trabalha duro deveria ficar endividado.

Por isso é que a Seguridade Social e o Medicare são mais importantes do que nunca, não devemos fragiliza-los, mas sim reforça-los”.

Inovação

"Sessenta anos atrás, quando os russos nos derrotaram na corrida espacial, não negamos a existência do Sputnik. Não discutimos os méritos científicos nem reduzimos nosso orçamento de pesquisa e desenvolvimento. Criamos um programa espacial praticamente da noite para o dia e, 12 anos depois, estávamos andando na lua. Este espírito de descoberta está no nosso DNA.

No ano passado, o vice-presidente Biden disse que, se fizéssemos um novo esforço como aquele que nos permitiu chegar à lua, os Estados Unidos seriam capazes de curar o câncer. Façamos com que os Estados Unidos sejam o país que conseguiu curar o câncer de uma vez por todas”.

Segurança

"A mudança climática é um dos vários temas em que a nossa segurança está atrelada à do restante do mundo. E é por isso que a terceira grande pergunta a que temos de responder é como manter os Estados Unidos fortes e seguros sem nos isolarmos nem nos dedicarmos a construir nações onde quer que exista algum problema.

Os Estados Unidos são a nação mais poderosa do planeta. Ponto. As pesquisas demonstram que nossa posição no mundo é melhor do que quando fui eleito para este cargo, e quando se trata de assuntos internacionais importantes, as pessoas, no mundo, não buscam ajuda em Pequim ou Moscou –elas procuram por nós.

O sistema internacional que criamos depois da Segunda Guerra Mundial tem tido dificuldades, hoje, para acompanhar o ritmo desta nova realidade”.

Prioridades

"A prioridade número um é a proteção do povo norte-americano e a perseguição às redes terroristas. Tanto a Al Qaeda como, agora, o Estado Islâmico representam uma ameaça direta contra o nosso povo, porque, no mundo atual, um punhado de terroristas que desprezam o valor da vida humana, inclusive da sua própria vida, pode causar muitos estragos. Eles usam a Internet para envenenar as mentes das pessoas dentro do nosso país e enfraquecem nossos aliados”.

Se este Congresso assume seriamente o objetivo de ganhar esta guerra e quer enviar uma mensagem para as nossas tropas e para o mundo, deveria autorizar de uma vez por todas o uso das forças militares contra o Estado Islâmico. Votem. Mas o povo norte-americano deveria saber que, com ou sem a intervenção do Congresso, o EI aprenderá as mesmas lições dadas aos terroristas que os antecederam. Se eles têm alguma dúvida quanto ao compromisso dos Estados Unidos –e o meu— de zelar para que a justiça seja feita, perguntem a Osama bin Laden. Perguntem ao líder da Al Qaeda no Iêmen, que eliminamos no ano passado, ou ao responsável pelos ataques em Bengasi, que colocamos em uma cela de prisão. Quando alguém ataca o povo norte-americano, vamos atrás. Pode levar algum tempo, mas nós temos boa memória e nosso alcance não conhece limites”.

Lições do Vietnã e do Iraque

"Também não podemos tentar assumir e reconstruir cada país que entre em crise. Ser líder não é isso. Isso é uma maneira garantida de cair em um atoleiro, desperdiçando sangue e dinheiro norte-americanos. Essa é a lição do Vietnã e do Iraque, e já deveríamos tê-la aprendido”.

Aliança do Pacífico

"A Aliança do Pacífico abre mercados, protege os trabalhadores e o meio ambiente e amplia a liderança dos Estados Unidos na Ásia. Reduz 18.000 impostos em produtos Produzidos nos Estados Unidos e obtém trabalhos melhores. Com ela, a China não pode determinar as regras nessa região, mas sim nós. Querem demonstrar a nossa força neste século? Então, aprovem este acordo. Deem-nos as ferramentas para que possamos fazer com que ele seja cumprido”.

Cuba e o fim do embargo

"Cinquenta anos de isolamento de Cuba não conseguiram promover o retorno da democracia, o que nos freou na América Latina. Por isso, reativamos as relações diplomáticas, abrimos as portas para viagens e comércio, e nos posicionamos de modo a poder melhorar a vida do povo cubano. Querem consolidar a nossa liderança e credibilidade nesse hemisfério? Reconheçam que a Guerra Fria acabou. Levantem o embargo”.

Trump e as políticas racistas

"Precisamos repudiar qualquer política que ataque as pessoas por motivo de raça ou religião. Não é uma questão de sermos politicamente corretos. Trata-se de entender que é isso que nos faz fortes. O mundo nos respeita não só pelo nosso arsenal militar; ele nos respeita pela nossa diversidade e nossa receptividade e pelo quanto respeitamos todas as crenças. Sua Santidade o Papa Francisco se dirigiu aos senhores deste mesmo lugar em que me encontro esta noite e disse que “imitar o ódio e a violência dos tiranos e dos assassinos é a melhor forma de assumir o seu próprio posto”.

Parlamentares norte-americanos ouvem discurso de Obama no Capitólio, em Washington.
Parlamentares norte-americanos ouvem discurso de Obama no Capitólio, em Washington.Drew Angerer (Bloomberg)

Renovação política

"O futuro que queremos, com oportunidades e segurança para nossas famílias, um nível de vida cada vez melhor e um planeta sustentável e em paz para os nossos filhos –tudo isso está ao nosso alcance. Mas só ocorrerá se trabalharmos juntos. Só ocorrerá se pudermos realizar debates racionais e construtivos. Só ocorrerá se consertarmos a política”.

Barreiras divisórias

"O rancor e a suspeita entre os partidos pioraram em vez de melhorar. Não há dúvida de que um presidente com os talentos de Lincoln ou Roosevelt talvez tivesse conseguido diminuir as barreiras que nos dividem, e eu lhes garanto que continuarei tentando ser melhor enquanto estiver no cargo. Não podemos nos permitir escolher esse caminho. Ele não nos levará à economia que almejamos, nem à segurança que buscamos, e sobretudo, ele contradiz tudo aquilo que nos define como o país mais invejado do mundo”.

Palavra de Martin Luther King

"Não vai ser fácil. Nossa marca de democracia é difícil. Mas posso lhes prometer que daqui a um ano, quando já não ocupar mais este cargo, estarei ao seu lado como cidadão, inspirado pelas vozes da justiça e da visão, da determinação, do bom humor, da bondade que ajudaram os Estados Unidos a chegarem tão longe. Martin Luther King acreditou que a última palavra seria a das vozes da verdade desarmada e do amor incondicional”.

A União é forte; que Deus abençoe os Estados Unidos

"O otimismo de que a verdade desarmada e o amor incondicional terão a última palavra. Isso é o que me leva a ter tanta esperança em nosso futuro. Pelos senhores. Acredito nos senhores. Por isso, posso estar aqui, de pé, com a confiança de que o Estado da União é forte”.

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