Morre Pierre Boulez, um dos grandes músicos do século XX

O compositor e diretor francês, revolucionário da música clássica, faleceu aos 90 anos em sua casa na Alemanha

O diretor Pierre Boulez dirigindo à Orquestra da Academia, no Festival de Lucerna / Bild Peter Fischli

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“Para todos aqueles que o conheceram e puderam apreciar sua energia criativa, exigência artística, disponibilidade e generosidade, sua presença se manterá viva e intensa”, disseram os familiares.

O grande revolucionário da música do século XX se considerava um transgressor em todos os sentidos (leia aqui sua entrevista em espanhol). Não tinha limites e gostava de fazer aniversário porque se sentia mais livre. “Quanto mais o tempo passa e mais anos você tem, mais livre se sente. E se tem vitalidade, é obrigado a empregá-la para descobrir novos territórios”, costumava dizer.

Amável, simpático e grande sábio, percorreu o século XX mas não tinha muito interesse em fazer revoluções no XXI. “Não tenho tempo suficiente para isso. Não tenho todo o século pela frente. Me sinto bem, mas sou consciente de minhas limitações. Sei que não posso acelerar minha atividade se quiser me manter ativo durante o maior tempo possível.” O que não fez que deveria ter feito? “Oh, muitas coisas, coisas demais, mas não lamento. Sei que minha vida esteve repleta. Fui em muitas direções, mas acho que consegui marcar um passo musical, e não se pode ganhar em tudo. Acredito que fiz coisas importantes e outras menos importantes. Portanto, considero que o balanço final é bastante positivo.”

Ao dirigir concertos, recusava-se a utilizar batutas porque dizia que são “como bengalas para andar”.

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