Crise Econômica no Brasil

Agência Fitch retira o selo de bom pagador do Brasil

A Standard & Poor's já tinha cortado o grau de investimento do país em setembro. Rebaixamento por duas agências significa uma retirada maior de recursos do Brasil

Um dos maiores temores da equipe econômica se tornou realidade nesta quarta-feira. A agência de classificação de risco Fitch retirou o selo de bom pagador do Brasil, uma chancela de credibilidade para investidores interessados no país. A nota foi reduzida de BBB- para BB+, o primeiro degrau do que é considerado o grau especulativo. Além disso, a agência de risco alterou a perspectiva de estável para negativa, sinalizando que pode voltar a rebaixar a nota do país. 

A Fitch é a segunda das três grandes agências de risco a tirar o grau de investimento do Brasil. No mês de setembro, a Standard & Poor's, uma das mais prestigiadas do mercado, já havia tirado a "nota de bom pagador" do país, cortando a nota do país de "BBB-" para "BB+", com perspectiva negativa. O rebaixamento por duas agências significa uma provável retirada de recursos investidos no Brasil, já que alguns fundos de investimento exige o selo de pelo menos duas agências para manter suas aplicações.

Segundo a agência Fitch, o rebaixamento do Brasil reflete uma recessão da economia mais profunda do que a esperada anteriormente. Além disso, os desdobramentos adversos do cenário fiscal e o aumento das incertezas políticas dificultam a capacidade do governo de implementar medidas fiscais que estabilizem a crescente dívida.

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"O cenário de deterioração doméstica está aumentando os desafios para as autoridades tomarem medidas corretivas para aumentar a confiança e melhorar as expectativas para crescimento, consolidação fiscal e estabilização da dívida", afirma o documento da agência.

O mercado reagiu à perda de grau de investimento do país pela Fitch. O anúncio fez a moeda norte-americana ampliar a sua valorização em relação ao real nesta quarta-feira. Às 14h, o dólar comercial avançava 1,87% e era cotado a 3,948. O Ibovespa também acelerou as perdas após o rebaixamento da nota. Às 14h, o índice caía 0,67%, a 44.572 pontos.

A decisão chega um dia após o Planalto ter enviado ao Congresso uma proposta de uma nova redução da meta de superávit primário do próximo ano de 0,5% do PIB. No entanto, na prática, o aval também seria para permitir zerar a meta caso haja frustração de receita. A medida foi realizada a contragosto do ministro da Fazenda, Joaquim Levy.

Logo após o anúncio do rebaixamento, Levy afirmou que é preciso "partir em defesa do Brasil e votar o que precisa ser votado e termos as receitas que precisamos". O ministro classificou como séria a decisão da Fitch e afirmou que, no momento, o mais importante é focar na votação das MPs que darão suporte ao Orçamento. 

O ministério da Fazenda divulgou uma nota dizendo que a pasta "reitera a confiança na capacidade da economia brasileira de retomar um ciclo de crescimento". Apesar dos indicadores de curto prazo e da incerteza atual, o ministério reiterou que "a economia brasileira tem fundamentos positivos e sólidos".

O Banco Central também se pronunciou e afirmou, em comunicado, que o rebaixamento "não altera o sentido ou a intensidade do ajuste macroeconômico em curso, que já demonstra resultados concretos". Segundo o BC, o país "possui robustos colchões de liquidez para atenuar ajustes nos preços de ativos e para mitigar excessiva volatilidade no mercado. Esses colchões garantem uma sólida posição de liquidez internacional, visto que as reservas internacionais do país são cerca de dez vezes maiores que o estoque da divida soberana externa".