Artista japonesa traz ao Rio a “missão” de reconectar homem e natureza

Mariko Mori apresenta este sábado nova obra, que será instalada em Petrópolis

Mariko Mori
Mariko Mori

Há cerca de cinco anos que Mariko Mori (Tóquio, 1967) trabalha na obra que deve representar um sonho que ela teve em 2009. Naquela noite, ela viu um anel que brilhava ao absorver os raios do sol no mais alto de uma cachoeira. Na época, a cachoeira poderia ser a de qualquer lugar do planeta, mas com o tempo, a artista, uma das principais figuras internacionais da arte contemporânea, decidiu que o cenário da sua nova obra, Arte e Natureza, seria Petrópolis, no Rio de Janeiro. A instalação chegará pouco antes da Olimpíada, em agosto de 2016, e brinca com a ideia de um sexto anel olímpico que una todos eles e represente a conexão do homem com a natureza e a união dos seres humanos em paz, conceitos em que Mori mergulhou nesta última etapa criativa da sua carreira.

Mori, para quem quiser entender melhor o escopo e trajetória da sua obra, será uma das palestrantes este sábado do Seminário Sustentabilidade, Educação e Arte, organizado pelo Museu de Arte do Rio (MAR) em parceria com a Faou Foundation, a ong que a artista criou com o objetivo de reconectar os humanos e a natureza. “Nossa missão é levar este trabalho aos seis continentes e transmitir essa mensagem de humanidade unida e a importância de exibir o respeito e a conexão com o entorno”, explica Mori com postura hierática e vestida totalmente de branco. O Rio é a segunda etapa – a primeira foi no Japão – de um projeto que levará obras específicas da artista a mais quatro espaços naturais ainda por determinar no Canadá, África do Sul, Suíça e Austrália. Em todos eles, a luz e a natureza são o principal apelo.

Mariko Mori

Museu de Arte do Rio de Janeiro (MAR)

Seminário Sustentabilidade, Educação e Arte

Sábado 5, 11h30

A relação de Mori com o Brasil, assim como com o conceito de união, é quase íntima. Mori começou a visitar a Amazônia já em 2002, ano em que participou da bienal de São Paulo com sua série de fotografias The Begining of the End, uma representação da conexão do ser humano, ela mesma dentro de uma cápsula, com cidades do passado (Cairo) e do futuro (Brasília). Em 2011, uma das obra mais tecnológicas de Mori ocupou quatro salas do Centro Cultural Banco do Brasil, em Brasília. Oneness, uma alegoria da união entre os seres, oferecia as figuras de seis extraterrestres confeccionadas em technogel — um material maleável —, dispostas em círculos. Os bonecos tinham os corações acionados quando seis visitantes tocavam as peças ao mesmo tempo. O círculo, representado também no anel do seu último trabalho, tem raiz profunda nas filosofias orientais e pode simbolizar a conexão com o universo e os alienígenas eram uma metáfora do estranhamento dos indivíduos de culturas diferentes, a pesar de terem as mesmas características como seres humanos.

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Na mesma exposição, foi apresentada também uma das suas obras mais reconhecidas, Wave UFO. A estrutura com forma de baleia reproduzia uma espécie de nave espacial onde grupos de três tripulantes — o número da unidade — conectados a eletrodos podiam visualizar as cores de suas ondas cerebrais. As ondas eram transmitidas para um computador que as devolvia em forma da animações coloridas. Mais de 550.000 pessoas aproximaram-se do trabalho de Mori nessa época em três cidades do país.

Para a preparação do seu retorno ao país, a artista visitou pessoalmente cerca de 30 cachoeiras até escolher a chamada Cachoeira dos 13, com duas quedas de água de 30 e 15 metros. Não foi à toa. Uma equipe elaborou estudos topográficos e de luz para confirmar a idoneidade, da locação da obra à queda dos raios solares sobre a delicada estrutura circular que está sendo construída no Japão. Selecionada pelo Comitê Rio-2016, o anel será uma das atividades culturais oficiais do mega-evento e é descrito pela artista como um "presente" que, fora sua transcendentalidade, simboliza a gratidão de Mori pelo Brasil.

Oneness, a obra exposta em Brasília em 2011.
Oneness, a obra exposta em Brasília em 2011.CCBB