manifestações estudantis são paulo

Secundaristas se organizam com “manual de como travar uma avenida”

Governo Alckmin endurece e anuncia decreto de reorganização escolar para esta terça

Manual de como travar uma rua, do coletivo O Mal Educado.
Manual de como travar uma rua, do coletivo O Mal Educado.

Enquanto o Governo Alckmin se articula com dirigentes de ensino para tentar desmobilizar os estudantes contrários à reorganização escolar no Estado de São Paulo, cujo decreto deve sair nesta terça, os alunos se organizam elaborando manuais para orientar ocupações em escolas, direitos jurídicos e até "como travar uma avenida".

Manual de como travar uma avenida, do coletivo O Mal Educado.
Manual de como travar uma avenida, do coletivo O Mal Educado.

O material, feito pelo coletivo O Mal Educado, dá dicas como "escolha uma avenida próxima à escola e que seja bastante movimentada. De preferência, faça o ato pela manhã entre as 6h e as 9h. Se for um cruzamento de duas avenidas, melhor ainda!".

Nas últimas semanas, os estudantes não foram para as ruas, e usaram a estratégia de ocupar o maior número de escolas possível para se manifestar —eram 190 até a publicação desta reportagem. A tática começou a mudar com a divulgação de um áudio neste domingo pelo coletivo Jornalistas Livres. Na conversa do chefe de gabinete da secretaria de Educação, Fernando Padula Novaes, com dirigentes de ensino, ele anuncia um decreto para esta terça sobre a reorganização. Propõe "ações de guerra contra a mobilização. “A gente vai brigar até o fim e vamos ganhar e vamos desmoralizar [os oponentes]”.

Na manhã desta segunda-feira, o roteiro do manual foi seguido à risca por alunos da escola Fernão Dias, no bairro de Pinheiros. Logo pela manhã, os estudantes fecharam o cruzamento da avenida Faria Lima com a Rebouças. Levaram cadeiras para ajudar no bloqueio, faixas e cartazes. Uma nova manifestação está marcada para a noite desta segunda e para a manhã desta terça-feira, quando o decreto será publicado.

Entrando na terceira semana, a mobilização estudantil ganha cada vez mais caráter de jogo de resistência. Contra os alunos conta o desgaste natural pelo prolongamento da ocupação e a pressão de grupos de pais preocupados com os dias de aula perdidos ante a proximidade das provas finais. Contra Alckmin conta a simpatia angariada pelo movimento e a determinação da Justiça de suspender ações de reintegração de posse.