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Rússia envia mísseis antiaéreos à Síria após derrubada de caça

Vladimir Putin descarta represália militar contra a Turquia

Piloto resgatado após avião cair diz não ter visto advertência

Síria resgata a um dos pilotos da caça russo abatido.

A Rússia anunciou, na quarta-feira, o envio de avançados sistemas de defesa aérea S-400 a uma das suas bases na Síria, em resposta à derrubada de um dos seus aviões militares pelas forças turcas. As autoridades russas asseguraram que o incidente não vai mudar de nenhuma maneira suas operações militares na região e ameaçou com consequências na relação econômica com a Turquia. No entanto, o Kremlin disse que não está considerando represálias militares, em um claro sinal de que não quer uma escalada da violência.

O porta-voz do presidente Vladimir Putin disse que “sem nenhuma dúvida” os bombardeios russos contra os rebeldes no norte da Síria vão continuar, apesar do mal-estar da Turquia pelos ataques contra as milícias turcomanas. “Preferiríamos que os terroristas se mantivessem longe da fronteira com a Turquia, mas, infelizmente, eles estão aí”, disse ele.

O primeiro-ministro russo, Dmitri Medvedev, observou em um comunicado que “a consequência direta [da derrubada do caça] pode ser a [nossa] recusa a participar de uma importante série de projetos conjuntos. As empresas turcas poderiam perder sua posição no mercado russo”.

No entanto, o ministro de Relações Exteriores Sergey Lavrov disse que a Rússia não contemplava a possibilidade de uma retaliação militar pelo incidente de terça-feira. “Vamos rever e reconsiderar seriamente tudo que está acontecendo em nossas relações, sob a perspectiva do ataque contra nosso avião. Não temos a previsão de declarar guerra contra a Turquia, nem criar barreiras artificiais entre os dois povos”, afirmou Lavrov.

Segundo o ministro, seu departamento está preparando um conjunto de propostas para revisar as relações com Ancara que será apresentado em breve ao presidente Putin.

Intensos combates

A região onde o incidente ocorreu na terça-feira é palco, há dez dias, de grandes batalhas, pois as forças leais ao regime de Bashar al-Assad – com apoio de milicianos do Irã e do Líbano, assim como de bombardeios russos – tentam recuperar a área montanhosa de Bayirbucak para garantir a província de Latakia e abrir um caminho para a província de Idlib, quase inteiramente controlada pelos rebeldes. “Como vingança pelo que aconteceu ontem, os russos aumentaram seus bombardeios hoje”, disse a fonte turcomana que também afirmou que os grupos rebeldes vão avaliar se devolvem o corpo do piloto russo que ainda está em poder deles, dependendo do que acontecer na região.

Apesar de que o presidente russo, Vladimir Putin, ter justificado a presença de seus caças no lugar do incidente pela luta contra o Estado Islâmico, este grupo não está presente nesta região da Síria, embora haja outros grupos jihadistas. Em declarações ao EL PAÍS, o especialista sírio Aymenn Jawad al Tamimi explicou que no norte da província de Latakia “lutam juntos vários grupos rebeldes, jihadistas e islâmicos”.

Os principais são as 1ª e a 2ª divisões costeiras e a 10ª Brigada do Exército Livre Sírio (ELS), cujos soldados são, em sua maioria, “locais” de etnia turcomana, mas há também presença de jihadistas estrangeiros, especialmente das facções ligadas à Frente Al Nusra (filial da Al Qaeda), o Movimento Islâmico do Levante (composto principalmente por marroquinos) e o Partido Islâmico do Turquestão, cujos combatentes vêm da Ásia Central.

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