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Samarco cita risco de rompimento e diz que não é hora de pedir desculpas

Segundo a mineradora, duas barragens estão passando por manutenções de urgência

Ativistas protestam contra desastre de Mariana
Ativistas protestam contra desastre de Mariana na sede da Vale no Rio. AFP

O temor de um novo rompimento de barragens em Mariana parece não dar trégua aos moradores da região. A mineradora Samarco admitiu, nesta terça-feira, que as barragens de Germano e Santarém, que ficam próximas à do Fundão que se rompeu há 12 dias, apresentam níveis de segurança abaixo do recomendado e correm risco de arrebentarem também. Segundo a empresa, as duas estão passando por manutenções de urgência. "Existe o risco e nós, para aumentar o fator de segurança, estamos fazendo as ações necessárias", disse o gerente geral de Projetos Estruturantes da Samarco, Germano Lopes.

Representantes da Samarco, que tem como acionistas a Vale e a BHP, afirmaram, em coletiva de imprensa, que a tragédia que provocou uma enxurrada de lama que devastou várias localidades da região, deixando pelo menos 11 mortos, 12 desaparecidos e 600 desabrigados, não precisa de um pedido de desculpas. “A gente teve um evento trágico. A Samarco também está envolvida e estamos muito solidários e muito sofridos com tudo que aconteceu. Não acho que seja o caso de desculpa, acho que é o caso de verificar claramente o que aconteceu”, disse o diretor de Operações e Infraestrutura da mineradora, Kleber Terra. Segundo ele, a empresa está fazendo o seu maior esforço.

Diferentemente do que havia sido anunciado antes pela Samarco, apenas uma barragem se rompeu na tragédia: a do Fundão. Técnicos do Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM) que visitaram o local após a tragédia constaram que a Santarém, que fica abaixo da barragem do Fundão, não se rompeu. No entanto, os 65 milhões de metros cúbicos de água e rejeitos despejados passaram por ela antes de chegarem a Bento Rodrigues, abalando sua estrutura. Parte do material também acabou ficando retido no local pressionando a contenção. Segundo o DNPM, como houve esse excedente a barragem de Santarém está sendo monitorada constantemente.

A Samarco explicou que, no caso da barragem de rejeitos de Germano, tida como prioridade no momento, as obras vão durar 45 dias, enquanto a de Santarém estará completamente reparada em três meses. No caso de Germano, um dos diques, chamado de "Selinha", apresenta grau de segurança de 1,22, devido a uma erosão na parte inferior, provocada pelo esvaziamento da barragem Fundão. O nível recomendado é de 1,5. No caso de Santarém o grau de segurança atual é de 1,37.

“Com o esvaziamento (do Fundão), a Selinha (um dos três diques) sofreu a erosão. O atendimento é emergencial, e vamos reparar a partir do pé. Desenvolvemos uma rota para chegar lá, mas o material que está presente no interior da barragem não está consolidado. É um material formado pela poupa de rejeitos”, explicou o engenheiro da Samarco José Bernardo.

Acordo bilionário

O Ministério Público (MP) de Minas Gerais informou na segunda-feira que fechou um acordo com a mineradora Samarco para pagamento de caução socioambiental de 1 bilhão de reais por conta da tragédia em Mariana. Segundo o MP, o dinheiro deve ser usado para garantir custeio de medidas preventivas emergenciais, mitigatórias, reparadoras ou compensatórias mínimas. Em nota, o promotor Carlos Eduardo Ferreira Pinto informou que os valores necessários para as ações poderão ser maiores. “Porém, o termo estabelece uma garantia jurídica concreta, que não existia até então, de que os valores iniciais emergenciais estão resguardados.” Quem irá gerir e aplicar os recursos em ações é a própria Samarco, segundo o MP.

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