Desastre em Mariana

Samarco cita risco de rompimento e diz que não é hora de pedir desculpas

Segundo a mineradora, duas barragens estão passando por manutenções de urgência

Ativistas protestam contra desastre de Mariana na sede da Vale no Rio.
Ativistas protestam contra desastre de Mariana na sede da Vale no Rio.MARIO TAMA (AFP)

O temor de um novo rompimento de barragens em Mariana parece não dar trégua aos moradores da região. A mineradora Samarco admitiu, nesta terça-feira, que as barragens de Germano e Santarém, que ficam próximas à do Fundão que se rompeu há 12 dias, apresentam níveis de segurança abaixo do recomendado e correm risco de arrebentarem também. Segundo a empresa, as duas estão passando por manutenções de urgência. "Existe o risco e nós, para aumentar o fator de segurança, estamos fazendo as ações necessárias", disse o gerente geral de Projetos Estruturantes da Samarco, Germano Lopes.

Representantes da Samarco, que tem como acionistas a Vale e a BHP, afirmaram, em coletiva de imprensa, que a tragédia que provocou uma enxurrada de lama que devastou várias localidades da região, deixando pelo menos 11 mortos, 12 desaparecidos e 600 desabrigados, não precisa de um pedido de desculpas. “A gente teve um evento trágico. A Samarco também está envolvida e estamos muito solidários e muito sofridos com tudo que aconteceu. Não acho que seja o caso de desculpa, acho que é o caso de verificar claramente o que aconteceu”, disse o diretor de Operações e Infraestrutura da mineradora, Kleber Terra. Segundo ele, a empresa está fazendo o seu maior esforço.

Diferentemente do que havia sido anunciado antes pela Samarco, apenas uma barragem se rompeu na tragédia: a do Fundão. Técnicos do Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM) que visitaram o local após a tragédia constaram que a Santarém, que fica abaixo da barragem do Fundão, não se rompeu. No entanto, os 65 milhões de metros cúbicos de água e rejeitos despejados passaram por ela antes de chegarem a Bento Rodrigues, abalando sua estrutura. Parte do material também acabou ficando retido no local pressionando a contenção. Segundo o DNPM, como houve esse excedente a barragem de Santarém está sendo monitorada constantemente.

A Samarco explicou que, no caso da barragem de rejeitos de Germano, tida como prioridade no momento, as obras vão durar 45 dias, enquanto a de Santarém estará completamente reparada em três meses. No caso de Germano, um dos diques, chamado de "Selinha", apresenta grau de segurança de 1,22, devido a uma erosão na parte inferior, provocada pelo esvaziamento da barragem Fundão. O nível recomendado é de 1,5. No caso de Santarém o grau de segurança atual é de 1,37.

“Com o esvaziamento (do Fundão), a Selinha (um dos três diques) sofreu a erosão. O atendimento é emergencial, e vamos reparar a partir do pé. Desenvolvemos uma rota para chegar lá, mas o material que está presente no interior da barragem não está consolidado. É um material formado pela poupa de rejeitos”, explicou o engenheiro da Samarco José Bernardo.

Acordo bilionário

O Ministério Público (MP) de Minas Gerais informou na segunda-feira que fechou um acordo com a mineradora Samarco para pagamento de caução socioambiental de 1 bilhão de reais por conta da tragédia em Mariana. Segundo o MP, o dinheiro deve ser usado para garantir custeio de medidas preventivas emergenciais, mitigatórias, reparadoras ou compensatórias mínimas. Em nota, o promotor Carlos Eduardo Ferreira Pinto informou que os valores necessários para as ações poderão ser maiores. “Porém, o termo estabelece uma garantia jurídica concreta, que não existia até então, de que os valores iniciais emergenciais estão resguardados.” Quem irá gerir e aplicar os recursos em ações é a própria Samarco, segundo o MP.

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