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Barragem se rompe em Minas e deixa mortos e dezenas de desaparecidos

Lama arrastou carros e caminhões, encobriu casas da região e deixou moradores ilhados

Barragem Samarco em Minas
Após rompimento de barragem, lama inundou casas da região. ReproduçãoTV Globo

O rompimento de duas barragens da mineradora Samarco no distrito de Bento Rodrigues, entre a cidade de Mariana e Ouro Preto, na região central de Minas Gerais, deixou, nesta quinta-feira, um cenário de destruição na região. A lama arrastou caminhões, encobriu casas e deixou pessoas soterradas e ilhadas, segundo relatos de moradores ao Corpo de Bombeiros de Ouro Preto. Existe a possibilidade de que tremores de terra de baixa intensidade ocorridos pouco antes do rompimento tenham provocado a tragédia, segundo a imprensa. Jornais locais informaram que a mina não possuía uma sirene para alertar os moradores do entorno em caso de acidente, o que pode ter atrasado a evacuação da população.

Até o momento existe apenas uma morte confirmada no acidente que devastou o distrito de Bento Rodrigues, que possui cerca de 600 habitantes e aproximadamente 200 casas. O Corpo de Bombeiros de MG chegou a confirmar uma segunda morte na sexta mas depois voltou atrás. O corpo informou também que quatro feridos (um homem, uma mulher e duas crianças) foram resgatados e levados ao Hospital João XXIII. A corporação confirmou ainda que 13 pessoas estão desaparecidas.  De acordo com o Sindicato dos Trabalhadores na Indústria de Extração de Ferro e Metais Básicos de Mariana (Metabase), entre 15 e 16 pessoas teriam morrido e 45 estão desaparecidas. Cifras variadas de vítimas eram citadas na imprensa local.

Casa alagada após rompimento da barragem.
Casa alagada após rompimento da barragem. Reprodução TV Globo

Ao menos 500 sobreviventes foram resgatados pelos Bombeiros e passaram por um "processo de descontaminação de ferro com água e sabão". Em nota, no entanto, a Samarco afirmou que o rejeito de minério de ferro é composto em sua maior parte de areia e não apresenta nenhum elemento químico que seja danoso à saúde. Um químico que estudou a barragem afirmou ao EL PAÍS que os resíduos não oferecem riscos. O Hospital Monsenhor Horta, de Mariana, está recebendo os feridos.

O secretário de Defesa Social de Mariana, Brás Azevedo, disse ao site G1 que a situação é muito grave e há riscos de desmoronamentos. Na noite desta quinta, a lama  também já tinha atingido o distrito de Paracatu de Baixo e destruído ao menos 30 casas, segundo informações da Guarda Municipal de Mariana. Nesta manhã, a enxurrada já tinha chegado à Barra Longa, cidade a 70km do povoado de Bento Rodrigues.

Aluvião do lama em Minas Gerais pulsa en la foto
Aluvião do lama em Minas Gerais

O acidente ocorreu por volta das 15h30 desta quinta na Barragem do Fundão e na de Santarém  que pertencem à mineradora Samarco e ficam a 25 km do centro de Mariana e a 100 km de Belo Horizonte. Em nota, a empresa, uma joint venture da Vale com a australiana BHP, confirmou primeiramente, o rompimento ocorrido em apenas uma barragem na mina Germano. À noite, o diretor-presidente da empresa, Ricardo Vescovi, informou através de um vídeo publicado na página da empresa no Facebook que havia uma segunda barragem rompida, a de Santarém.  “A organização está mobilizando todos os esforços para priorizar o atendimento às pessoas e a mitigação de danos ao meio ambiente”, afirmou. A Samarco afirmou ainda que não é possível, neste momento, confirmar as causas e extensão do ocorrido, bem como a existência de vítimas. A Samarco produz principalmente pelotas de minério de ferro, cerca de 30 milhões de toneladas anuais, segundo informação do site da empresa.

Tanto a empresa como a prefeitura de Mariana pediram que as pessoas deixem o local e “que não haja deslocamentos de pessoas para o local do ocorrido, exceto as equipes envolvidas no atendimento de emergência”. O Ministério Público de Minas Gerais instaurou inquérito na tarde de quinta-feira para investigar as causas e responsabilidades no rompimento da barragem.

Na manhã desta sexta-feira, o governador de Minas Gerais, Fernando Pimentel, sobrevoou a área afetada pelo desastre e se reuniu com funcionários da Samarco e diversas autoridades, segundo a assessoria do governo do Estado.

 A mineradora afirmou que o conjunto de barragens no município de Mariana, em Minas Gerais, foi alvo de fiscalização em julho deste ano e encontrava-se em "total condição de segurança". Segundo comunicado da Samarco, todas as barragens possuem Licenças de Operação concedidas pela Superintendência Regional de Regularização Ambiental (SUPRAM).  Ainda  de acordo com o comunicado, a "Samarco também realiza inspeções próprias, conforme Lei Federal de Segurança de Barragens, e conta com equipe de operação em turno de 24 horas para manutenção e identificação, de forma imediata, de qualquer anormalidade".

Abrigo e doações

Em Mariana, a prefeitura preparou o ginásio esportivo Arena Mariana e um colégio para os desabrigados. A defesa Civil municipal pede para que voluntários não doem mais colchões, cobertores e roupas, já que há um grande volume deste tipo de material. Segundo a prefeitura da cidade, a prioridade agora é a doação de materiais para uso pessoal, como escova de dentes, toalhas de banho e, também, água potável. Para doações fora do município, a prefeitura disponibilizou dados de sua sua conta bancária para quem quiser contribuir com doações em dinheiro: Prefeitura Municipal de Mariana / Banco do Brasil/ Agência 2279-9/ CC 10.000-5.

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