Atentados de Paris

França identifica mais dois terroristas suicidas da matança jihadista de Paris

A polícia realizou 168 ações de busca e apreensão em 19 departamentos ou províncias.

Hollande (centro) e outras autoridades fazem um minuto de silêncio.
Hollande (centro) e outras autoridades fazem um minuto de silêncio. (EFE)

Cinco dos jihadistas suicidas que atacaram em Paris na sexta-feira já foram identificados pela polícia. Quatro deles são franceses, e ainda há dúvidas sobre a origem do quinto. Um dos dois últimos identificados é Samy Amimour, nascido em 25 de outubro de 1987 em Drancy, um bairro parisiense com forte presença muçulmana. O outro é o indivíduo que portava um passaporte sírio. A polícia comprovou que seus rastros correspondem ao de um homem que entrou na Grécia em outubro, seguindo a rota empregada por milhares de refugiados.

Amimour se suicidou na sala de espetáculos Bataclan junto com outros dois terroristas. Em outubro de 2012, ele havia sido indiciado por envolvimento com o terrorismo, após a revelação de que havia tentado viajar ao Iêmen, destino também de alguns jihadistas que cometeram os atentados de janeiro deste ano em Paris. Submetido a vigilância policial, Amimour conseguiu evitar o cerco sobre ele, e a polícia perdeu seu rastro no segundo semestre de 2013. Desde então, segundo promotores de Paris, havia um mandado internacional de busca e captura contra ele. Três familiares seus foram presos. Um deles declarou à polícia que Amimour esteve na Síria há dois anos.

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O quinto identificado, embora ainda não plenamente, se suicidou em frente ao Stade de France. Portava um passaporte sírio em nome de Ahmad al Mohamad, nascido na Síria. A polícia não conseguiu confirmar se esse é o seu nome real, mas sim que se trata do mesmo indivíduo que chegou à Grécia em 3 de outubro.

O Governo francês mobilizou mais de 100.000 policiais e militares para prevenir novos atentados e seguir a pista de supostos jihadistas, especialmente os que conseguiram fugir depois da matança da sexta-feira. Trata-se de uma operação sem precedentes, "uma mobilização excepcional", segundo o ministro do Interior, Bernard Cazeneuve. Em busca de suspeitos e armas, a polícia realizou, na madrugada deste domingo para segunda, 168 ações de busca e apreensão em 19 departamentos ou províncias, onde determinou medidas de controle sobre 104 residentes, deteve 23 pessoas e apreendeu 19 armas, entre elas um lança-foguetes. O primeiro-ministro Manuel Valls teme uma nova ação terrorista “nos próximos dias”.

As atuações policiais, amparadas pelo estado de emergência decretado na sexta-feira, ocorreram, entre outros lugares, em Paris, Toulouse, Estrasburgo, Marselha, Grenoble e Lyon. As operações continuarão em todo o território ao longo desta segunda-feira. Frente à matança de Paris, haverá uma "resposta implacável", segundo Cazeneuve. "Os terroristas não destruirão nunca a República, porque a República os destruirá antes.”

As forças de segurança estão mobilizadas também para proteger universidades e escolas, que abriram suas portas na segunda-feira, após dois dias fechados. A ministra da Educação anunciou que as viagens e excursões escolares estão suspensas até 22 de novembro. As manifestações previstas por ocasião da Cúpula do Clima também foram canceladas.

“É preciso que nos preparemos para novas réplicas”, advertiu Valls à emissora RTL. O chefe de Governo diz reiteradamente nos últimos dias que teme novos ataques terroristas depois de que, desde janeiro passado, pelo menos meia dúzia de atentados foram prevenidos.

A polícia francesa já fichou 10.500 pessoas como suspeitos de atividades ligadas ao radicalismo islâmico – uma quantidade de pessoas impossível de vigiar permanentemente, Até agora, a cifra extraoficial que se comentava era de 4.000 pessoas nessa lista. Nos últimos meses, ela cresceu. Valls afirmou que às vezes um suspeito é incluído apenas por causa de um dado recebido pela polícia.

O ex-presidente Nicolas Sarkozy declarou na manhã desta segunda-feira à rede TF1 que é preciso determinar a zona de residência desses suspeitos (o que o estado de emergência permite) e que eles devem receber braceletes eletrônicos de geolocalização. Laurent Wauquiez, secretário-geral do partido de Sarkozy, agora chamado Os Republicanos, propôs inclusive trancafiar esses suspeitos em campos especiais de internamento.

Os líderes políticos também se referiram nos últimos dias à conveniência de atuar frente aos discursos radicais nas mesquitas francesas. A líder do partido direitista Frente Nacional, Marine Le Pen, é partidária de fechar as mesquitas onde ocorram sermões violentos. O ministro Cazeneuve, do Interior, disse no domingo que seria necessário prender quem “pregar o ódio”. Nesta segunda-feira, Valls afirmou que “é preciso expulsar quem mantiver discursos insuportáveis contra a República”.

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