Atentados em Paris

Alerta máximo em Paris em busca de terroristas que fugiram

Autoridades identificaram três franceses entre os supostos jihadistas dos ataques

Polícia francesa busca pistas sobre terroristas
Polícia francesa busca pistas sobre terroristasLAURENT DUBRULE (EFE)

Paris entrou em estado de alerta máximo, em busca de terroristas que conseguiram fugir depois da matança de Paris na sexta-feira. As forças de segurança seguem os rastros de supostos terroristas e cúmplices desde a manhã de sábado, mas o alerta ganhou força epois que a polícia encontrou no bairro de Saint-Denis o carro que teria sido utilizado por supostos jihadistas nos atentados. No veículo foram encontradas várias armas, entre elas três Kalashnikovs, o tipo de fuzil de assalto que foi usado pelos terroristas.

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O carro é um Seat Leon preto. Foi encontrado na área de Montreuil, no bairro de Saint-Denis, não muito longe do Stade de France, onde na sexta-feira foram detonadas três bombas. Ocupantes desse veículo abriram fogo na noite de sexta-feira contra os clientes de um bar na rua Fontaine-Au-Roi e, quatro minutos mais tarde, dispararam também contra clientes de um restaurante na rua de Charonne.

A descoberta do carro e das armas reforça a hipótese da polícia de que um ou vários terroristas conseguiram escapar. As forças de segurança estão convencidas de que, muito provavelmente, ele preparam outros ataques. Foi o que indicou o próprio primeiro-ministro francês, Manuel Valls, que disse que a França deve estar preparada para novos atentados. Na Bélgica, de onde vieram alguns dos terroristas – foi nesse país que eles alugaram um dos carros que usaram nos ataques em Paris –, também há alerta máximo.

No início da tarde deste domingo, fontes judiciais informaram que já há três franceses identificados – dois deles residiam na Bélgica – entre os sete terroristas mortos na sexta-feira. Só um deles teve sua identidade divulgada. Trata-se de Ismail Omar Mostefai, nascido em outubro de 1985 em Courcouronnes, que se imolou na casa de espetáculos Bataclan. A polícia deteve seis familiares de Mostefai. Ao todo foram detidas 13 pessoas até agora, 7 delas em Bruxelas, por envolvimento com a matança.

Mostefai viajou no segundo semestre de 2013 para a Turquia e, segundo fontes policiais, passou para a Síria para se unir durante vários meses aos jihadistas. O terrorista suicida participou do ataque no Bataclan, onde foram mortas 89 pessoas. É o segundo participante dos atentados que a polícia relaciona com a Síria.

Entre os detidos estão o pai e um irmão de Mostefai, assim como a mulher deste, que vivem nos arredores de Paris. Os investigadores querem saber se conheciam alguma das atividades de Mostefai relacionadas com o terrorismo, e até mesmo se algum deles chegou a ajudá-lo em algum momento. Nos últimos meses, vivia no bairro de Madeleine da localidade de Chartres, a sudoeste de Paris.

O deputado e prefeito dessa localidade, Jean-Pierre Gorges, declarou a vários meios de comunicação que Mostefai levava nos últimos meses uma vida muito discreta. Ia frequentemente à mesquita do lugar e já não praticava nenhuma das atividades relacionadas com a delinquência de anos anteriores.

O procurador-geral de Paris, François Molins, informou na noite de sábado que o primeiro terrorista suicida identificado – que resultou ser Mostefai – tinha sido detido em oito ocasiões por delitos comuns de menor importância. Também disse que desde 2010 esse terrorista estava fichado por suas atividades relacionadas com o islamismo radical. Apesar de tudo isso, acrescentou, nunca esteve atrás das grades.

Mostefai foi identificado depois da análise de um pedaço de dedo encontrado no Bataclan. Além de Mostefai, pelo menos outros cinco jihadistas lançaram ataques suicidas em Paris na sexta-feira, segundo Molins. Até a noite de sábado, a polícia afirmava que tinham sido oito os autores de ataques não suicidas e sete os autores de ataques suicidas. Desde a noite de sábado, a polícia fala de seis autores de ataques não suicidas, todos mortos, e seis suicidas.

Conexão belga

A conexão belga ganha peso na investigação dos atentados. Já são sete as pessoas interrogadas em Bruxelas por sua suposta relação com os ataques a tiros. Algumas delas podem ser convocadas formalmente a depor nos tribunais nas próximas horas, informou a procuradoria federal, que abriu no sábado uma investigação própria para esclarecer os fatos.

A procuradoria belga confirmou que duas pessoas de nacionalidade francesa, mas residentes em Bruxelas – uma no centro e outra no distrito de Molenbeek – participaram dos atentados e morreram (inicialmente, só havia registro de uma). Também são dois os carros provenientes da Bélgica: um encontrado nas imediações do Bataclan e o outro, em Montreuil.

Os dois veículos foram alugados em Bruxelas no início da semana passada. Foi precisamente um desses carros o que fez as autoridades francesas seguirem a pista belga da investigação, informa Lucía Abellán. O Polo preto utilizado pelos terroristas para chegar ao Bataclan tinha sido alugado por um cidadão francês nascido e residente na Bélgica – sobre o qual os serviços de informação franceses não tinham dados prévios. Havia sido detectado em um controle da fronteira franco-belga na manhã de sexta-feira a bordo de outro carro. Ia com dois residentes de Bruxelas.

Segundo fontes policiais, trata-se de Salah Abdesalam, nascido em 15 de setembro de 1989 em Bruxelas. Mede 1,75 metro e tem olhos castanhos. Sua foto foi divulgada pela polícia francesa para pedir que a população ajude a localizá-lo. As autoridades francesas também enviaram uma nota às polícias de vários países europeus, incluindo a Espanha, alertando-as para a possibilidade de que após os atentados ele tenha ido para um país limítrofe com a França. Trata-se, diz a nota, de um "indivíduo perigoso" que poderia estar envolvido com a matança de Paris.

O irmão de Salah, Ibrahim, é outro dos suicidas identificados pelos investigadores franceses. O terceiro é Bilal Hafdi, que residia na Bélgica. Também tinha passado uma temporada na Síria, segundo fontes policiais.

Depois de se reunirem em Paris, os ministros francês e belga do Interior, Bernard Cazeneuve e Jan Jambon, respectivamente, destacaram que, efetivamente, belgas e pessoas residentes na Bélgica tiveram um papel determinante no múltiplo ataque jihadista em Paris. Os atentados foram "preparados no exterior", insistiu Cazeneuve. Os dois ministros se comprometeram a intensificar a cooperação bilateral policial, judicial e de serviços secretos. A luta contra o tráfico de armas é um de seus objetivos prioritários.

Os dois assinalaram que, na reunião extraordinária de ministros do Interior da União Europeia convocada para sexta-feira a pedido francês, vão propor aos demais países europeus que sejam restabelecidos os controles fronteiriços. É o que a França faz desde sexta-feira por causa da reunião de cúpula sobre o clima, que será realizada de 30 de novembro a 11 de dezembro. O ministro francês de Relações Externas, Laurent Fabius, reiterou que a reunião de cúpula, da qual participarão mais de 130 chefes de Estado e de Governo, está mantida, apesar dos atentados. O presidente François Hollande anunciou que prorrogará o estado de emergência decretado depois da matança.

O chanceler iraquiano, Ibrahim al Jaafari, afirmou que seu país alertou com antecedência a França sobre o risco de sofrer um atentado, informa Ángeles Espinosa. "Os serviços secretos iraquianos obtiveram informação sobre países que seriam atacados, principalmente na Europa, concretamente a França, assim como [de outros continentes], como os Estados Unidos e o Irã", afirma Al Jaafari em um vídeo colocado em sua página na internet. O ministro, que não especifica se essas ameaças vêm do grupo jihadista Estado Islâmico (ISIS), que controla amplas zonas do Iraque e da Síria, assinala que informou esses países sobre os complôs.

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