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As vítimas dos atentados em Paris

Aqui, um breve perfil das pessoas que perderam a vida nos ataques terroristas

Uma das vítimas dos atentados de Paris
A mexicana Michelli Gil, uma das vítimas do atentado.

Pouco a pouco vai sendo conhecida a identidade das vítimas dos ataques de sexta-feira em Paris. "Não são vítimas anônimas. São rostos, vidas, jovens cujas vidas foram interrompidas", disse neste domingo o primeiro-ministro Manuel Valls, durante visita a um centro de atendimento psicológico para vítimas e familiares em Paris. Dos 129 mortos confirmados até este domingo, 103 foram identificados. Estas são as histórias de algumas das vítimas.

A seguir, os perfis de algumas delas:

Valentin Ribet
Valentin Ribet

- Valentin Ribet, de 26 anos, advogado francês. Estava no show na casa de espetáculos Bataclan no momento do atentado. Seu nome surgiu nas condolências divulgadas pela instituição universitária britânica London School of Economics, onde ele se formou em Direito Comercial Internacional em 2014. Agora trabalhava com o prestigiado advogado Antonin Lévy, filho do filósofo Bernard Henri Lévy, no escritório Hogans Lovells, de Paris. “Era um advogado brilhante”, explicou por telefone o presidente do colégio de advogados de Paris, Pierre-Olivier Sur. “Fazia parte de uma equipe bastante em alta em Paris, atraía muita atenção, tinha muito futuro pela frente e muito talento.”

- Asta Diakite, prima do jogador de futebol Lassana Diarra. Ele estava no gramado do Stade de France na sexta-feira, onde era titular no amistoso entre França e Alemanha, quando se escutaram as explosões.Asta Diakite foi morta em um dos ataques a tiros daquela noite. "Depois dos acontecimentos dramáticos de Paris e Saint-Denis, hoje escrevo com o coração pesado", assinalou o volante de origem malinesa em uma mensagem publicada em seu perfil no Twitter, na qual confirmou a morte de sua prima. Asta "era uma referência para mim, um apoio e uma irmã mais velha".

- Valeria Solesi, 28 anos. Nascida em Veneza, vivia em Paris há quatro anos. Estava fazendo um doutorado em demografia na Universidade de Sorbonne. Lá, seus colegas disseram que ela era uma pessoa obstinada e inteligente. Era formada em sociologia pela Universidade de Trento. Na sexta-feira, Valeria foi ao Bataclan, do qual não saiu com vida.

Juan Alberto González Garrido.
Juan Alberto González Garrido.

-Juan Alberto González, espanhol de 29 anos. Ele e sua mulher, Ángela Reina, ambos engenheiros por formação, viviam na capital francesa havia dois anos. Os dois, que se haviam casado em meados deste ano e não tinham filhos, assistiam no Bataclan ao show da banda de rock Eagles of Death Metal. Segundo o relato de Ángela, depois que o marido caiu no chão, ela o viu sendo levado em uma ambulância. Depois, perdeu sua pista. Ángela, com outros parentes que se deslocaram imediatamente para Paris, procurou pelos hospitais durante horas, até que as autoridades francesas confirmaram que se encontrava entre os mortos.

- Michelli Gil Jáimez, de 27 anos, estava no restaurante La Belle Equipe no momento dos atentados. Seus primos confirmaram a morte da jovem no sábado, por meio das redes sociais. “Família e amigos, a embaixada mexicana na França nos confirmou que minha prima Michelli Gil Jáimez foi uma das vítimas fatais do atentado terrorista do dia de ontem na cidade de Paris, onde ela morava”, escreveu Félix José Gil Herrera. Nascida em Tuxpan (Veracruz, México), Michelli pertencia a uma família com raízes mexicanas e espanholas que desde sexta-feira se dedicava a procurá-la através das redes sociais, com a hashtag #rechercheParis (busca em Paris), e da embaixada mexicana. O noivo de Michelli, um italiano também residente em Paris, publicou no Facebook; “Te amo, meu amor, descanse em paz”. Gil Jáimez estudou Administração de Negócios Internacionais na Universidade das Américas Puebla e na Universidade EM Lyon, de Paris.

- Pierre Innocenti, comerciante, 40 anos. Comandava a parte comercial do restaurante familiar italiano Chez Livio, bastante conhecido em Neuilly-Sur-Seine. Pelo restaurante, que foi fundado por seu avô e era gerido agora por Pierre e seu irmão Charles, já passaram celebridades como Nicolas Sarkozy, a atriz Brigitte Bardot e o jogador de futebol Zlatan Ibrahimovic. O restaurante está fechado desde o ataque, em sinal de luto.

Nohemi Gonzalez.
Nohemi Gonzalez.

- Nohemí González, norte-americana de 23 anos. A Universidade Estadual da Califórnia em Long Beach confirmou no sábado que González, uma de suas alunas de intercâmbio, morreu vítima dos ataques terroristas de sexta-feira. A jovem de origem mexicana nasceu em El Monte, um município a leste de Los Angeles. Estudava Design na universidade pública e tinha ido a Paris por seis meses.

- Michael Laforte, professor de Design em Long Beach, lembrou de González em uma mensagem no Facebook como uma estudante “boa, inteligente, generosa e com talento, querida por todos os que a conheciam”.

- Patricia San Martín e Elsa Veronique Delplace, mãe e filha, chilenas e residentes na França. Também assistiam ao show. San Martín, nascida em 1954, se casara, havia alguns anos, com o francês Michel Laplace, com quem teve a filha Elsa em 1980. A mulher tinha chegado à França com os pais, militantes comunistas exilados pela ditadura de Augusto Pinochet, detidos por motivos políticos e torturados na cidade chilena de Valdívia. Segundo fontes próximas à família, San Martín foi ao show do Eagles of Death Metal no Bataclan com a filha Elsa, o neto de 5 anos e uma amiga, que ficou ferida e, depois de internada num hospital, conseguiu avisar os parentes sobre a tragédia. Quando começou a matança, o menino se escondeu. Posteriormente foi resgatado e agora está com os avós paternos.

Nick Alexander.
Nick Alexander.

- Nick Alexander, 36 anos, britânico. Era o responsável pela venda de produtos de merchandising da banda Eagles of Death Metal e morreu no Bataclan, segundo o jornal The Guardian.

- Mathieu Hoche, 38, era cinegrafista da rede de TV France 24, segundo o Le Figaro.

- Guillaume B. Decherf, jornalista, 43 anos. Colaborador habitual da respeitada revista cultural LesInrocks. Sua última crítica publicada na revista foi sobre o disco mais recente da Eagles of Death Metal, na qual anunciava o show de 13 de novembro da banda no Bataclan. Ele estava nessa casa de espetáculos na noite de sexta-feira e foi uma das 89 pessoas que morreram no ataque brutal de quatro terroristas suicidas. Para este domingo, tinha planejado escrever sua análise sobre o concerto do Motörhead no Zénith de Paris – show que acabou sendo cancelado pelo grupo britânico de heavy metal depois dos atentados. Era pai de duas meninas.

- Aurélie de Peretti, 33 anos. Fazia meses que esperava o concerto dos Eagles of Death Metal. Era o primeiro de uma série de três espetáculos que ela planejava ver na capital francesa. Natural de Saint-Tropez, na Côte D'Azur, tinha tirado alguns dias de folga depois de trabalhar duro durante seis meses no setor de hotelaria em sua cidade natal. "Era sua recompensa e custou sua vida", disse muito abalado seu pai, Jean-Marie de Peretti, ao jornal Le Parisien. "Amputaram uma parte de mim", acrescentou sua irmã mais velha, Delphyne. Com Aurélie viajava sua amiga Elodie, ferida no ataque de sexta-feira.

- Thierry Hardouin, policial, 36 anos, e sua mulher. Thierry havia reservado uma mesa no restaurante La Belle Équipe, na rua de Charonnem para comemorar o aniversário da esposa. Ambos estão entre as 18 pessoas mortas na Charonne na última sexta-feira.

- Luis Felipe Zschoche Valle, músico, 32 anos. Chileno, residia na capital francesa há oito ano. Tinha ido com sua mulher à casa de espetáculos Bataclan.

 

Com informação de Ana Teruel (Paris), Claudia Altamirano (Cidade de México), Pablo Ximénez de Sandoval (Los Angeles), Rocío Monte (Santiago de Chile) e Raquel Seco (São Paulo).

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