27 mortos em incêndio em boate na Romênia por falha na segurança

O presidente da Romênia, Klaus Iohannis, reconhece "irregularidades" na danceteria. Cerca de 200 ficaram feridos

Um ferido é levado ao hospital de Bucareste. R. G. (EFE) / REuters (reuters_live)

O presidente da Romênia, Klaus Iohannis, apontou neste sábado irregularidades numa casa noturna de Bucareste que sofreu um incêndio na noite de sexta-feira, deixando pelo menos 27 pessoas mortas e quase 200 feridas, sendo 10 em estado gravíssimo. A boate Colectiv, onde 400 pessoas assistiam a um show de rock, não tinha todos os alvarás necessários nem adotava as medidas de segurança adequadas, segundo as primeiras investigações. “É um local totalmente inapropriado”, disse Iohannis após visitar o local. “Foram ignoradas normas simples de segurança.”

Em proporções menores, o caso é muito parecido com o da Boate Kiss, em Santa Maria (RS). Em janeiro de 2013, 242 jovens morreram em um incêndio durante um show de forró. O fogo foi provocado por um sinalizador acendido dentro da boate, que também não seguia todas as normas de segurança.

No caso da Romênia, o Governo decretou três dias de luto oficial e acelerou as investigações do incêndio. “É inimaginável param mim que pudesse haver tanta gente reunida para um show num espaço desses, e que uma tragédia tenha ocorrido tão rapidamente porque as normas mais simples [de segurança] não foram respeitadas”, disse Iohannis. “Espero que as autoridades realizem as investigações para esclarecer o ocorrido com rapidez e seriedade”, acrescentou.

Os primeiros indícios são de que o incêndio foi causado por algum artefato pirotécnico usado durante o show do grupo romeno Goodbye to Gravity. As chamas se espalharam rapidamente, alimentadas pelos materiais de isolamento acústico, e a sala se encheu de fumaça, causando pânico entre os espectadores, a grande maioria jovens que haviam ido à apresentação do novo álbum do grupo. A fuga desordenada do público agravou os efeitos da tragédia. Várias testemunhas disseram à imprensa romena que só havia uma saída disponível.

O secretário de Estado de Interior, Raed Arafat, disse que as autoridades receberam o primeiro chamado de alerta às 22h43 (2h43 em Brasília), e que 11 minutos depois os serviços de emergência chegaram à boate. Várias testemunhas, no entanto, disseram que a demora foi superior a 30 minutos.

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“As pessoas não podiam sair da discoteca, porque só havia uma saída aberta, então houve um empurra-empurra e um bloqueio imediato”, relatou o jovem sobrevivente Alin Panduro ao site noticioso Hotnews. “As pessoas desmaiavam, caía por causa da fumaça. Havia um caos total, as pessoas se empurravam”, contou outra testemunha, Victor Ionescu, ao canal de TV Antena 1.

Numerosos feridos sofrem queimaduras nas pernas e nos braços, intoxicação por fumaça e contusões, segundo fontes médicas. Pelo menos 26 pessoas morreram no interior do clube, e uma no hospital. Os trabalhos de identificação das vítimas (tanto mortos como feridos) estão em andamento, já que, segundo fontes da investigação, muitos não portavam documentos.

O primeiro-ministro Victor Ponta reuniu seu gabinete em caráter de urgência e declarou que há várias vítimas estrangeiras – sendo pelo menos dois espanhóis. Ponta manifestou “solidariedade aos estrangeiros que ficaram feridos ou morreram” no incêndio, mas não entrou em detalhes. Fontes hospitalares disseram ao canal Digi24 que um dos feridos é italiano.