eleições na colombia

Peñalosa tira a prefeitura de Bogotá da esquerda colombiana

O ex-prefeito obtém a vitória na capital colombiana na frente de Rafael Pardo

Peñalosa (esq.) chega para votar com o ex-prefeito Mockus.
Peñalosa (esq.) chega para votar com o ex-prefeito Mockus.D. Vega (EFE)

O candidato de centro-direita Enrique Peñalosa será o prefeito de Bogotá pelos próximos quatro anos. Com 95% dos votos apurados, Peñalosa obteve a vitória na capital colombiana com 32% dos votos, na frente de Rafael Pardo, do Partido da U (o grupo do presidente Santos), com 28%, e de Clara López, do Polo Democrático, com 18%. A aliança de esquerda perde o controle da capital, seu grande bastião, depois de 12 anos. Os resultados representam também um duro revés ao uribismo, que não conseguiu vencer em Medellín, sua grande aposta.

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López, ex-candidata à presidência, com boa avaliação entre a opinião pública, sofreu o desgaste de três prefeituras marcadas pela corrupção e pelas críticas à gestão dos governantes, especialmente Samuel Moreno e Gustavo Petro. Assim que sua vitória se confirmou, Peñalosa chamou à conciliação seus rivais. “Bem-vindos a este grande projeto por Bogotá, vamos trabalhar sem ódios”, reforçou o vencedor.

Se há pouco mais de um ano as eleições presidenciais colombianas se transformavam em um plebiscito sobre o processo de paz protagonizado pelo presidente Juan Manuel Santos, que conseguiu a reeleição, neste domingo os colombianos foram às urnas com o desejo que de fosse a última vez sob o manto de uma guerra de mais de cinco décadas. Mais de 30 milhões de colombianos elegeram os 32 governadores e 1.102 prefeitos que dirigirão seu dia a dia. Também serão os encarregados de administrar o fim da guerra, no caso de que se assine, como tudo indica, a paz com a guerrilha das FARC, para a qual há uma data limite: 23 de março de 2016.

Desde a chegada de Santos à presidência há cinco anos, o poder foi distribuído principalmente entre os partidos da Unidade Nacional, a coalizão que levou ao poder em duas ocasiões o governante e que é formada por Partido Liberal, Mudança Radical e a U, coalizão de Santos. Ainda que em um primeiro momento tivessem garantido que iriam a estas eleições locais sob a mesma cédula em alguns lugares, sobretudo naqueles em que tinha mais força o Centro Democrático —o partido que representa o uribismo e principal força opositora—, ao final não foi assim, o que gerou muita concorrência e divisão na Unidade Nacional.

O principal ponto de distensão foi Bogotá, onde a Mudança Radical, dirigida pelo vice-presidente Germán Vargas Llera, decidiu não apoiar o candidato da situação, Rafael Pardo, e optou por respaldar a candidatura independente do vencedor, Enrique Peñalosa.

A luta na capital colombiana atestou o colapso da esquerda. Até agora Bogotá tinha se tornado trampolim e bastião do Polo Democrático, que empreenderá agora uma travessia no deserto com vistas às eleições presidenciais de 2018. Apesar disso, seu apoio será crucial para o presidente Santos na hora de referendar um hipotético acordo de paz com as FARC.

As eleições regionais representaram um duro revés também para o Centro Democrático, coalizão criada em 2013 pelo ex-presidente Álvaro Uribe, que concorria pela primeira vez às eleições. Apesar de as pesquisas apontarem uma vitória do uribismo em Medellín, seu domicílio eleitoral, na segunda cidade da capital por fim Federico Gutiérrez, que representa um continuísmo dos governos progressistas, se impôs a Juan Carlos Vélez.

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