Refugiados

Pelo menos 17 sírios morrem em naufrágio na costa da Turquia

Guarda costeira turca resgatou 55.000 migrantes em 2015

Caixões com os cadáveres dos refugiados sírios.
Caixões com os cadáveres dos refugiados sírios.H. Yorur (AP)

O mar Egeu voltou a engolir, no domingo, as vidas e esperanças de várias famílias de refugiados que tentavam alcançar a União Europeia. Uma barcaça de madeira de oito metros de comprimento que tinha partido da Turquia durante a madrugada levando 37 pessoas a bordo afundou muito antes de chegar à ilha grega de Leros, o destido declarado pelos sobreviventes.

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Vinte pessoas foram resgatadas e [a guarda costeira] recuperou os cadáveres de outras 17”, explicou o governador na província turca de Mugla, Amir Çiçek, à agência de notícias oficial Anadolu, acrescentando que se acredita que não há desaparecidos no naufrágio. Entre os mortos – todos de nacionalidade síriahá cinco crianças e cinco mulheres, de acordo com a agência de notícias privada DHA.

A balsa afundou a cerca de quatro quilômetros do litoral turco e parte dos que estavam a bordo sobreviveu graças aos coletes salva-vidas. Ainda assim, tiveram de nadar quase um quilômetro até alcançar a ilhota Çavus, onde foram recolhidos pela Guarda Costeira da Turquia. Os sobreviventes prestaram declaração e, de acordo com a DHA, um deles foi visto algemado pois se suspeita que poderia ser parte da rede de traficantes que organizou a travessia.

O ponto de saída da balsa, a localidade de Yalikavak (na parte noroeste da península de Bodrum) e o de chegada, a ilha grega de Leros, indica uma ligeira mudança nas rotas utilizadas por quem tenta chegar às costas europeias. Até poucas semanas atrás, a via mais utilizada era o estreito braço de mar que separa as praias de Akyarlar, na região sudeste da península, da ilha de Kos, já que se trata de um dos pontos mais próximos entre as costas da Turquia e da Grécia: apenas 6 quilômetros. Mas desde a morte de Aylan Kurdi – o menino sírio cuja imagem estremeceu o mundo – a segurança foi reforçada nesse ponto, tanto em terra, por meio de guardas da Gendarmaria que impedem os imigrantes de alcançar as praias, como no mar, patrulhado pela Guarda Costeira que tenta deter sua passagem em mar aberto.

Entretanto, as rotas indicadas pelos traficantes aos refugiados são extremamente flexíveis e mudaram para outros lugares como as praias do oeste e noroeste da Península de Bodrum, de onde se navega até as ilhas gregas de Kalymnos ou Leros (mais de 30 quilômetros de travessia), ou, já no norte do mar Egeu, à costa de Behramkale e Assos, de onde os botes partem para a ilha de Lesbos (10 quilômetros). Diante de tamanha capacidade de adaptação das redes de tráfico e do elevado número de refugiados, a guarda costeira turca consultada por este jornal afirmou que está sobrecarregada e quase não tem condições de enfrentar a nova onda migratória. De acordo com dados oficiais, mais de 1.400 embarcações foram interceptadas no mar pela guarda costeira turca neste ano, resgatando com vida 54.751 refugiados e migrantes. “Em todo o ano passado, resgatamos menos de 15.000 pessoas. Este ano, até 15 de setembro, o número se aproximava de 55.000. Só em agosto passado, salvamos 18.000 pessoas e a cifra está crescendo. Até o fim do ano pensamos que pode subir a 70.000”, afirmou esta semana um dos comandantes da Guarda Costeira, Bülent Olcay. Além disso, 106 traficantes foram detidos pelas forças de segurança turcas.

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