Terremoto no Chile

Terremoto no Chile causa 11 mortes e deixa um milhão de desabrigados

O terremoto de 8,4 graus na escala Richter devastou a região central do país

(atlas)

O terremoto de 8,4 graus na escala Richter que devastou a região central do Chile às 19h54 (20h54 de Brasília) causou a morte de 11 chilenos e um milhão de desabrigados, informou a presidenta Michelle Bachelet na noite de quarta-feira do Palácio de La Moneda. A informação sobre danos e vítimas está em constante atualização e ainda é parcial. A mandatária disse que, por conta do terremoto com epicentro em Illapel, 200 quilômetros ao norte de Santiago, o Governo avalia decretar Estado constitucional de exceção e que, com o objetivo de agilizar a entrega de ajuda aos afetados, assinou o decreto máximo de Calamidade Pública nas regiões afetadas.

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As autoridades do Chile suspenderam o alerta de tsunami emitido na maior parte do litoral. O Escritório Nacional de Emergências (ONEMI) informou que evacuou as áreas costeiras entre Arica e Los Lagos. “Recebemos relatórios de danos em casas de adobe na comunidade de Illapel”, disse o ministro do Interior, Jorge Burgos. “O tremor foi sentido de Arica a Puerto Aysén”, informou o secretário de Estado, em permanente comunicação com a Presidenta Michelle Bachelet, que retornou com urgência a La Moneda para monitorar os efeitos do terremoto.

Segundo o Centro Nacional de Sismologia da Universidade do Chile, o epicentro se localizou a 36 quilômetros a oeste do povoado de Canela e a 11 quilômetros de profundidade. O Centro de Alertas de Tsunamis do Pacífico dos Estados Unidos (PTWC) estendeu o alerta de tsunami ao Equador, Peru e Havaí. “Baseado em todos os dados, um tsunami pode ter sido gerado por conta do terremoto, e poderá causar destruição nas áreas costeiras distantes do epicentro”, explicou o alerta, que esperava a chegada de grandes ondas ao Havaí às 3h (23h de quarta-feira de Brasília) de quinta-feira.

Os mortos foram identificados como Lissette Araya Silva, de 35 anos, que morreu no desabamento de um telhado; Victoria Gloria Jofré, de 20 anos, por um deslizamento de pedras; Luis Damaris, de 67 anos, que morreu no hospital de parada cardíaca; Renato Salazar Díaz, de 91 anos, que morreu na comunidade de Maipú de parada cardíaca; e Humberto Fernández, de 81 anos, de parada cardíaca em Valparaíso.

A Presidenta anunciou que viajará na quinta-feira às cidades do epicentro, o que causará mudanças em suas atividades tradicionais de comemoração das Fiestas Patrias do país.

Na hora do rush

O terremoto foi de longa duração e ocorreu no horário de saída do trabalho, de modo que a maior parte dos escritórios estava desocupada e as pessoas estavam a caminho de suas casas. O tremor aconteceu dois dias antes das comemorações das Fiestas Patrias na sexta-feira e no final de semana, o que fará com que as regiões costeiras estejam especialmente ocupadas nessa data.

Nos edifícios mais altos, especialmente projetados para enfrentar os tremores em um país no qual eles são frequentes, o terremoto foi fortemente sentido, quase da mesma forma que o abalo de fevereiro de 2010. As linhas telefônicas estão cortadas, mas pouco a pouco começam a voltar ao normal. O metrô de Santiago funcionou normalmente, mas com maior lentidão por conta dos tremores secundários.

Um terremoto dessa magnitude é geralmente bem enfrentado no Chile, onde a infraestrutura foi adaptada à realidade sísmica e a população é educada para enfrentá-los, especialmente depois da tragédia de 2010 e as mortes ocorridas pelo tsunami que atingiu sobretudo a região central e sul do país. A imprensa informa sobre a hora da chegada de ondas moderadas em diferentes áreas da costa, processo que ainda pode durar mais 13 horas. A evacuação ocorre de maneira ordenada, com a ajuda dos Bombeiros e da Marinha, mas as autoridades ainda avaliam os danos pessoais e materiais em todo o território.

A principal estrada litorânea do Peru, a Costa Verde, foi fechada por alerta de tsunami, informa Jacqueline Fowks.