Ciclovias não chegam à periferia

Recordistas em viagens de bicicleta, bairros afastados tiveram menos investimentos

A malha cicloviária da zona norte de São Paulo.
A malha cicloviária da zona norte de São Paulo.Reprodução

Para além de questões cosméticas levantadas frequentemente pelos críticos das ciclovias – “foi pintada na calçada”, “tem poça de água”, “a cor é vermelha” – a malha específica para bicicletas tem graves problemas nas periferias de São Paulo. Se por um lado os distritos distantes do centro lideram o ranking de viagens feitas por ciclistas diariamente, não foram eles que receberam mais investimentos na ampliação do sistema, uma das vitrines do Governo Fernando Haddad.

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De acordo com os dados da Prefeitura de São Paulo e da pesquisa Origem e Destino do Metrô, feita em 2007, Grajaú (zona sul), Vila Maria e Jardim Helena (zona leste), Jaçanã (zona norte) e Vila Medeiros (zona leste) são os recordistas de viagens feitas com bicicleta diariamente. No entanto, os distritos que mais receberam ciclovias foram a Sé (região central) e o Butantã (zona oeste).

Cicloativistas – inclusive moradores de periferia – defendem a ampliação da rede no centro da capital, devido à sua importância para desafogar o trânsito caótico da região. Mas cobram também a ampliação e a implementação da rede na periferia, que não dispõe da oferta de transporte público disponível no centro. A reivindicação deu origem ao movimento Ciclovia na Periferia, formado por ciclistas moradores dos bairros afastados e simpatizantes.

Na superpopulosa zona leste da cidade, os distritos do Itaim Paulista, Guaianases e Sapopemba não receberem um quilômetro sequer de novas ciclovias. Parelheiros, M’Boi Mirim e Cidade Ademar, na zona sul, também não tiveram acréscimos na malha. Vale lembrar que nestes nestes locais a rede é precária. Além do déficit de investimentos em mobilidade para bicicletas nas periferias, as vias exclusivas para ciclistas na região sofrem com outro problema. São trechos que não se comunicam com nenhum outro.

Enquanto que nas regiões central e oeste existe uma espécie de ciclo-anel, sendo possível sair da avenida Paulista, ir até a Liberdade, centro, Bom Retiro, Santa Cecília e Barra Funda, tudo em ciclovias, nas periferias a situação é diferente. Das 15 ciclovias presentes em toda a região norte, por exemplo, dez não se comunicam com nenhuma outra. Se por um lado elas garantem a proteção dos ciclistas em pequenos trechos, a falta de ligação com uma rede inibe ciclistas iniciantes a usar a infraestrutura existente.

A Companhia de Engenharia de Tráfego informou que nos 100 km restantes para completar a meta de 400 km da Prefeitura será dada prioridade para as ciclovias na periferia. “Todas elas respeitarão as diretrizes de conectividade, integração modal, e o padrão de intervenção se mantém em todas as regiões”, diz a nota, que cita a construção de ciclovias em Parelheiros, São Miguel Paulista e Cachoeirinha.