Reino Unido e Irã restabelecem relações e reabrem suas embaixadas

Primeira visita de um chanceler britânico a Teerã desde 2003 privilegiou petróleo

Hammond, à esquerda, e Zarif hoje em Teerã. reuters-live! / EFE (reuters_live)

O ministro das Relações Exteriores britânico, Philip Hammond, reabriu oficialmente neste domingo a embaixada britânica em Teerã (Irã), fechada quatro anos antes, depois de ter sido atacada por centenas de manifestantes. Irã e Reino Unido reabriram suas embaixadas simultaneamente, coincidindo com a visita oficial de Hammond a Teerã, a primeira de um chanceler britânico ao Irã desde 2003. A embaixada britânica foi fechada em 2011, depois que centenas de pessoas indignadas com o endurecimento das sanções –em razão do programa nuclear iraniano— atacaram a sede diplomática, sem intervenção da polícia. Num gesto de reciprocidade, Londres expulsou os diplomatas iranianos.

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“Com a abertura das embaixadas, as relações bilaterais prosseguirão no nível dos agentes diplomáticos residentes”, explicou o vice-ministro do Irã para Assuntos da Europa e América, Majid Tajteravanchi; “não é adequado que os iranianos viajem aos países vizinhos para solicitar o visto britânico”. O diplomata iraniano se mostrou confiante que “nos próximos meses a seção consular da missão britânica comece a cuidar dos trâmites para os cidadãos iranianos.” Depois da chegada ao poder do presidente Hassan Rohani, os dois países tinham reatado em 2014 as relações por meio de agentes consulares não residentes.

Em sua visita de dois dias a Teerã, o encarregado da diplomacia britânica escolheu se reunir primeiro com o ministro do Petróleo do Irã, Bijan Namdar Zangueneh, e afirmou que seu país “está disposto a importar petróleo, investir no setor petrolífero e nos projetos de gás do Irã”. Em sua agenda Hammond também prevê se reunir com seu par iraniano, Mohammad Javad Zarif, e com o presidente do Parlamento, Ali Larijani, entre outros.

A reabertura da embaixada britânica foi tratada com polêmica pela imprensa local, e as diferentes correntes políticas iranianas reagiram de formas diversas. O jornal Siasate Ruz se mostrou reticente, descreveu o fato como “a volta da velha raposa” e criticou as posturas “anti-iranianas de Londres durante os 36 anos que se passaram desde a Revolução Islâmica”.

Por outro lado, o cientista político Sadegh Zibakalam apoiou a reabertura das legações. Zibakalam lembra que “a política exterior de todos os países coincide com seus interesses nacionais” e questionou “os interesses por trás do ataque à embaixada britânica, em plenas negociações nucleares, há quatro anos”, descrevendo o rompimento das relações com o Reino Unido como “o último passo em direção ao congelamento das relações do Irã com a maioria dos países europeus”. “O interessante é que até hoje nenhum grupo tenha reivindicado a autoria do ataque à embaixada britânica.”

O jornal moderado Mardomsalari, embora tenha reconhecido em editorial a hostilidade das políticas britânicas nas últimas décadas, destacou ao mesmo tempo que “o isolamento voluntário, por meio do rompimento das relações diplomáticas com alguns países, como o Reino Unido, equivale a se suicidar por medo da morte”.

O restabelecimento oficial das relações bilaterais ocorre graças ao acordo obtido entre o regime de Teerã e as potências do Grupo 5+1 (EUA, França, Rússia, China, Reino Unido e Alemanha) sobre o programa nuclear iraniano e à gestão do Governo moderado de Hasan Rohani, disposto a melhorar seu relacionamento com o Ocidente.