GUERRA NA SÍRIA

Três jornalistas espanhóis desaparecem na Síria

O Ministério de Relações Exteriores da Espanha tenta localizar os repórteres

Três jornalistas espanhóis estão desaparecidos na Síria desde 11 de julho, data em que fizeram o último contato, de acordo com fontes do Governo. Por isso, suspeita-se que tenham sido sequestrados. Os três estavam na região da cidade síria de Alepo. São os repórteres: Ángel Sastre, Antonio Pampliega e José Manuel López, segundo confirmado por diplomatas.

As mesmas fontes dizem que não têm como confirmar o sequestro. Em Alepo, embora a situação seja bastante caótica, o grupo dominante é o al-Nusra, braço da Al Qaeda na Síria. Os três cidadãos espanhóis chegaram em Alepo pelo sul da Turquia, em 10 de julho.

Ángel Sastre já cobriu terremotos, golpes de Estado e zonas de conflito. É colaborador dos veículos Cuatro, Onda Cero e La Razón. Em outubro de 2013, esteve durante um mês em Alepo com os outros dois jornalistas, Antonio Pampliega e o fotojornalista José Manuel López, narrando a guerra sangrenta na qual cerca de 40 jornalistas foram sequestrados ou detidos.

López trabalhou por 11 anos como fotógrafo no jornal regional La Crónica de Leon, até 2009. Desde 2010, trabalha como freelancer em países como Afeganistão, Iraque, Palestina, Kosovo, Irã, Haiti, Guatemala, Venezuela, República Democrática do Congo, Síria, Somália e Sudão do Sul.

O Ministério de Relações Exteriores está "a par da situação", disseram fontes do departamento comandado por José Manuel García-Margallo, que apenas acrescentaram que estão "trabalhando no caso".

Em 2013, os jornalistas espanhóis Javier Espinosa e Ricardo García foram sequestrados na Síria, perto da fronteira com a Turquia, e só puderam retornar à Espanha em março de 2014, depois de passar mais de seis meses nas mãos de um grupo radical jihadista.

27 jornalistas sequestrados na Síria somente em 2014

Um total de 27 jornalistas foi sequestrado na Síria em 2014, dos quais vinte ainda estavam em cativeiro no fim do ano, a maioria repórteres locais que estão nas mãos de grupos armados, de acordo com o relatório anual de 2014 da organização Repórteres Sem Fronteiras (RSF). Na terça-feira foi divulgado o sequestro dos jornalistas espanhóis Antonio Pampliega e Ángel Sastre e do fotógrafo José Manuel López.

O último sequestro de jornalistas espanhóis na Síria aconteceu em 2013, quando foram sequestrados Marc Marginedas, do jornal e El Periódico, Ricardo García Vilanova, fotojornalista freelancer e Javier Espinosa, correspondente do jornal El Mundo, os dois últimos pelo grupo jihadista Estado Islâmico (ISIS), na província de Raqqa.

No dia 2 de março de 2014 Marginedas foi libertado depois de seis meses de cativeiro. Naquele mesmo mês, no dia 30, também foram libertados Espinosa e García Vilanova.

No ano passado, com a publicação do seu relatório anual, a RSF denunciou que o Estado Islâmico havia posto em prática uma tática de sequestros e decapitações de jornalistas na Síria, cujo clímax foi a execução, gravada em vídeo e difundida pelas redes sociais e pela Internet, dos repórteres norte-americanos James Foley e Steven Sotloff.

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