EUA abrem seu mercado à carne bovina argentina

Governo Obama acata decisão da OMC contra barreira ao país sul-americano

Um trabalhador da indústria da carne na Argentina.
Um trabalhador da indústria da carne na Argentina. (EFE)

O Governo norte-americano iniciou na segunda-feira o processo para reabrir seu mercado à carne bovina argentina depois de 14 anos. A entrada dos cortes argentinos foi proibida nos Estados Unidos e na União Europeia em 2001 devido a casos de febre aftosa no país sul-americano. A UE revogou a proibição no ano seguinte, mas os EUA mantiveram as restrições até agora. O ministro da Economia argentino, Axel Kicillof, disse na terça-feira que seu país voltará a exportar o alimento aos EUA em setembro em um volume que pode chegar a 280 milhões de dólares anuais. Os produtores locais desconfiam de seu otimismo lembrando que, nos últimos dez anos, os governos kirchneristas desestimularam a atividade ao limitar a exportação no intuito de abastecer o mercado interno a preços mais baixos.

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Em 2007, a Organização Mundial de Saúde Animal declarou a Argentina país livre de aftosa sem vacinação. Apesar de não afetar seres humanos, a doença pode infectar o gado e, por isso, certos países fecham as portas a mercados exportadores onde ela surge. Mas a decisão daquele organismo há oito anos não mudou a opinião dos EUA a respeito da carne argentina. Em vista disso, em 2012 a Argentina entrou com uma ação na Organização Mundial de Comércio (OMC) contra as barreiras mantidas pelos EUA e, em abril, conseguiu uma decisão a seu favor.

“Nos EUA há um protecionismo que é legalmente aceito porque os organismos multilaterais que avaliam a conduta dos diversos países aceitam os enormes subsídios e barreiras paratarifárias que existem sobretudo para os produtos agropecuários”, queixou-se o ministro da Argentina. Seu país sofreu, em 2014, uma decisão da OMC a favor dos EUA, da UE e de outros países ricos contra as barreiras protecionistas generalizadas que aplica desde 2012 ante a escassez de divisas. Como esses entraves deverão ser eliminados no final de 2015, o ministro Kicillof busca meios de substituí-las por outras medidas que mantenham os limites à importação.

O ministro da Economia argentino queixou-se do protecionismo agrícola dos EUA

“Eu não tenho gado, nem tenho campo, mas luto como se fosse uma criadora”, comemorou a presidenta Cristina Kirchner na quarta-feira. Seu Executivo calculou que, em 14 anos de restrições, a Argentina perdeu 2 bilhões de dólares em vendas externas não só aos EUA, como também a Canadá e México, que integram o Tratado de Livre Comércio da América do Norte. Mas duas organizações patronais agrárias argentinas qualificaram o seu Governo como o “grande inimigo das exportações de carne bovina” devido às alíquotas e impostos que incidem sobre elas. Recordaram que, desde 2005, quando o Governo de Néstor Kirchner (2003-2007) barrou por algum tempo todas as remessas ao exterior devido a uma alta de preços, a Argentina caiu do terceiro lugar na classificação de exportadores de cortes bovinos para o 14º atual. A operação e a produção também se retraíram em seguida, mas voltaram a crescer nos últimos quatro anos, sobretudo devido a uma recuperação do consumo interno. A abertura do mercado dos EUA soma-se à recente abertura dos mercados da Rússia e da China, com o que os produtores argentinos esperam superar pouco a pouco uma crise setorial que fechou 150 fábricas.

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