Celler de Can Roca, da Espanha, é eleito o melhor restaurante do mundo

O local recupera a primeira posição na classificação da revista inglesa 'Restaurant'

Joan, Josep e Jordi Roca, depois da premiação.
Joan, Josep e Jordi Roca, depois da premiação.LEON NEAL (AFP)

“A César o que é de César.” Com essa frase, muitos talentos do mundo da gastronomia —e não só espanhola— acolheram na noite de segunda-feira a volta de El Celler de Can Roca ao trono mundial dos restaurantes. O estabelecimento de Girona, na Catalunha, recuperou o cetro que a revista britânica Restaurant já lhe outorgou há dois anos como líder da cozinha de vanguarda. Em 2014, cedeu esse posto ao dinamarquês Noma, agora no terceiro lugar, atrás da Osteria Francescana, de Módena.

A proposta inovadora liderada pelos três irmãos Roca volta a se impor na lista 50 Best, anunciada na segunda-feira à noite em Londres, graças à solidez de uma jornada diária que une as especialidades nas quais cada um dos irmãos se sobressaiu: Joan, à frente da cozinha, Josep como somellier e Jordi, encarregado das sobremesas —o que lhe rendeu, no ano passado, o reconhecimento de melhor chef pâtissier do mundo. Sua nova vitória reflete o poderio da cozinha espanhola, que encabeça essa lista em mais da metade de suas edições ao longo de seus 13 anos de existência, com Ferran Adrià à frente de cinco reinados, quatro deles consecutivos (entre 2006 e 2009, e também em 2002) e os Roca, outros dois.

D.O.M e Maní, os dois brasileiros da lista, caem algumas posições

EFE

O brasileiro D.O.M., de Alex Atala, caiu da sétima posição para a nona, ainda permanecendo entre os dez primeiros colocados. O Maní, da chef Helena Rizzo e de seu marido, Daniel Redondo, também desceram na lista, foram da 36ª posição para a de número 41.

Eles fazem parte do grupo de nove representantes da cozinha latino-americana considerados na lista dos cinquenta melhores restaurantes do mundo. Ao todo, são três restaurantes peruanos, três mexicanos, os dois brasileiros e um chileno.

O latino mais bem colocado foi o Central Lima, do peruano Virgilio Martínez, que ocupou o quarto lugar. "Estamos focando muito nas viagens internas no território. Reunimos uma equipe de sete ou oito pessoas que se estão se movendo pelo Peru, desde a Amazônia até os Andes", relatou o cozinheiro.

Na classificação tão midiática quanto controversa da revista Restaurant, o plantel espanhol mantém sua relevância, ainda que com profundas mudanças. Junto ao domínio do El Celler de Can Roca, segue se destacando entre os dez melhores a batuta de Andoni Luis Aduriz com seu Mugaritz (6o lugar), mas a até agora presença imbatível de Juan Mari Arzak entre os dez primeiros foi deslocada para o 17o lugar. Ele foi superado, com um avanço espetacular, por Bittor Arguinzoniz, cujo asador Etxebarri, de Atxondo (País Basco), subiu vertiginosamente do 34o para o 13o lugar.

A Espanha consegue manter sete colocações entre os 50 restaurantes proclamados melhores do mundo, com o também basco Azurmendi, de Eneko Atxa, no 19o; o 39o conquistado pelo estabelecimento de Quique Dacosta em Dénia, e o 42o conferido ao Tickets, de Albert Adrià.

Criada como alternativa a outras classificações consolidadas —principalmente ao centenário Guia Michelin— a lista 50 Best inclui, apesar do nome, até uma centena de estabelecimentos de destaque mundialmente. Entre o 50o e o 100o lugares, destaca-se o avanço do formato de cozinha de rua de David Muñoz (DiverXO), o único restaurante madrilenho com três estrelas Michelin, que conseguiu se colocar no 59o posto (frente ao 94o do ano passado) e cujo desembarque iminente em Londres é uma das novidades gastronômicas mais esperadas da temporada.

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O fenômeno presente nesta lista de recente criação segue em alta e aspira a globalizar sua influência a partir do ano que vem, quando o anúncio será feito em Nova York. Indiscutível foi o reconhecimento do trabalho de toda uma vida entre fogões oferecido a Daniel Boulud, chef francês que há mais de duas décadas decidiu transferir sua sapiência gastronômica para o Upper East Side nova-iorquino e assim se reafirmou como campeão da cozinha mais moderna, mas que bebe da influência da tradição de sua terra de origem. Ou a distinção à melhor cozinheira do planeta, recebida pela também francesa Hélène Darroze, não tanto por seu restaurante parisiense mas pela sala que ocupa no hotel Connaught de Londres, dois estrelas Michelin.

A espanhola Elena Arzak há três anos já mereceu esse título, sempre discutido por quem exige que a cozinha não faça discriminação de gênero.

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