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Colômbia e China discutem um tratado de livre comércio

A China é o segundo sócio comercial da Colômbia depois dos Estados Unidos

Por enquanto, a balança comercial entre os dois países é deficitária

Juan Manuel Santos e o primeiro-ministro chinês Li Keqiang.
Juan Manuel Santos e o primeiro-ministro chinês Li Keqiang. EFE

A visita à Colômbia do primeiro-ministro chinês, Li Keqiang, segunda parada em sua viagem pela América Latina, depois do Brasil, abriu a possibilidade de que seja assinado um tratado de livre comércio entre os dois países. Na declaração conjunta feita pelo presidente Juan Manuel Santos e Keqiang, o mandatário colombiano anunciou que será colocado em marcha “um estudo de viabilidade para avaliar a conveniência de aprofundar mais nossas relações comerciais”. E embora tenha destacado que hoje o comércio bilateral é 15 vezes maior que o de uma década atrás, também disse que a Colômbia tem um grande potencial para aumentá-lo nas duas direções.

Para Keqiang, o anúncio do início dessas discussões envia um bom sinal ao investidores. “Eu acredito que isso pode emitir um forte e positivo sinal para o setor empresarial dos dois países, quer dizer, poderemos experimentar um grande desenvolvimento do comércio bilateral”, disse em uma declaração para a imprensa na Casa de Nariño, onde foram assinados vários memorandos de entendimento e acordos de cooperação.

Esse potencial citado por Santos tem a ver com o setor agropecuário, onde afirma que haveria um benefício mútuo. “A Colômbia tem milhões de hectares para cultivar e a China precisa de alimentos e possui muita tecnologia de produção”, disse. Precisamente, esse benefício mútuo é uma das maiores preocupações dos analistas na Colômbia, já que a balança comercial entre os dois países é deficitária. Em relação a isso, o primeiro-ministro chinês assegurou que estão dispostos a importar mais produtos agrícolas como o café. “A China não está atrás do superávit comercial”, disse e defendeu o equilíbrio no comércio bilateral.

Entre os acordos assinados, Santos destacou dois projetos em infraestrutura que têm grande importância para a Colômbia. O primeiro, nas palavras do mandatário, permitirá desenvolver a Orinoquia, uma vasta região ao leste do país onde está prevista a construção de uma estrada à beira do rio Meta, cujo destino final é a fronteira com a Venezuela. O projeto inclui tornar navegável esse rio, o que facilitaria o desenvolvimento agropecuário dessa região onde predomina o cerrado.

A China é o segundo sócio comercial da Colômbia depois dos Estados Unidos

O segundo projeto tem como centro Buenaventura, o porto mais importante do país no lado do Oceano Pacífico, que hoje atravessa uma grave crise humanitária pelas disputas entre bandos criminosos pelo controle das rotas do narcotráfico. Santos anunciou que, com o apoio da China, planeja dar “uma nova vida” a essa cidade. “A China tem interesse em colaborar no desenvolvimento urbanístico e industrial. A transformação de Buenaventura em um polo de desenvolvimento é algo muito importante para nós”, acrescentou.

O primeiro-ministro chinês aproveitou o encontro com Santos para expressar seu apoio ao processo de paz que o Governo está realizando com as FARC em Cuba e prometeu participar ativamente do pós-conflito, se chegarem a um acordo final. A primeira mostra é uma doação de oito milhões de dólares (24 milhões de reais) para projetos relacionados à construção da paz. “Esperamos ver, aqui na Colômbia, a paz integral, a estabilidade e o progresso social o mais cedo possível. A parte chinesa está interessada em ajudar na construção do pós-conflito”.

A China é o segundo sócio comercial da Colômbia depois dos Estados Unidos e este ano as relações diplomáticas completam 35 anos. Para comemorar, os dois países organizaram um encontro literário em Bogotá, no qual participará pela China, o ganhador do Nobel Mo Yan, que afirmou reconhecer em sua obra a influência de Gabriel García Márquez. As seguintes paradas de Keqiang serão o Peru e o Chile.

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