Operação Lava Jato

Sergio Moro: “O apoio da população sempre é importante”

Juiz da Lava Jato participa de lançamento de livro em São Paulo e é tratado como popstar

Apoiadores de Moro exibem cartazes de apoio.
Apoiadores de Moro exibem cartazes de apoio.María Martín

O juiz Sergio Moro já pode se considerar um ídolo. O magistrado deixou seu escritório de Curitiba, onde comanda a Operação Lava Jato, para prestigiar em São Paulo a apresentação do livro sobre Vana Lopez, vítima e impulsora da caça ao médico Roger Abdelmassih, condenado pelo estupro de 39 pacientes, e transformou o evento numa ruidosa homenagem a sua figura.

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No cantinho dedicado à apresentação, no último andar da Livraria Cultura, na Avenida Paulista, não cabia mais um alfinete. Sergio Moro, em uma rara aparição pública, foi recebido por meia centena de pessoas eufóricas, que seguravam cartazes com seu nome, entre eles participantes dos grupos que organizaram as passeatas pelo impeachment da presidenta Dilma Rousseff, como Vem Pra Rua e Revoltados Online. O juiz foi homenageado com aplausos, gritos de ânimo, elogios, flores brancas e o hino nacional cantado a capela. Moro até se emocionou e seus olhos se umedeceram discretamente, embora os gritos de “Fora PT” tenham quebrado rapidamente o clima e dessem início ao que, na realidade, era o previsto.

Acompanhado da sua mulher, a advogada Rosângela Wolff Moro, com quem assina o prefácio do livro Bem-vindo ao inferno, do jornalista Claudio Tognolli, o juiz quis se manter, sem sucesso, em um segundo plano. Delegou à esposa os comentários sobre a obra mas, cercado na varanda do local por jornalistas e simpatizantes, só foi possível arrancar dele algumas palavras: “Sempre é importante o apoio da população”.

Celene Carvalho celebra Moro em livraria de São Paulo.
Celene Carvalho celebra Moro em livraria de São Paulo.María Martín

Entre os que enfrentaram o trânsito em pleno horário de rush para chegar até ali com um vaso de cravos brancos estava Celene Carvalho, de 49 anos, “ativista de teclado e panelaço”. A hoteleira de “um hotel falido” foi lá para demonstrar ao juiz que não está sozinho. “Sergio Moro virou nossa única esperança de justiça neste país. O processo nos leva a acreditar em que podemos ver a Lula e Dilma na cadeia”, disse. Celene acredita que o ex-presidente Lula está por trás do que se perfila como o maior caso de corrupção da historia do Brasil. “Moro já disse na sua famosa frase que para chegar ao chefe tem que seguir o rastro do dinheiro. Pois é, tem que chegar no Lula, tudo se direciona a isso. Não podemos esquecer que ele enriqueceu muita gente que vai protegê-lo, mas eu torço e rezo pelo Moro”, afirmou, orgulhosa de mostrar sua camiseta estampada com uma foto do juiz e a legenda: “Moro, justiça neles”.

“Viemos prestar apoio total e irrestrito ao juiz, pela sua atuação, competência e coragem. Ele não está sozinho, as pessoas de bem estão com ele”, afirmou a dentista Cristiane Ibanhes Polo, vestida de gabardine e maquiada de forma impecável. Perguntada pelo significado da expressão “pessoas do bem” ela completou: “pessoas honestas, transparentes e incorruptíveis”.

Cerca de 20 minutos depois da coletiva de imprensa começar, Sergio Moro já queria ir embora. Sugeriu ao ouvido da mulher duas vezes para sair de lá até que, com grande dificuldade, conseguiu chegar ao elevador. As “pessoas de bem”, algumas frustradas por não ter conseguido ver nem a solapa do terno do juiz, abandonaram a livraria pelas escadas aos gritos de “Fora PT”.

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