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Justiça aperta o cerco contra o ex-diretor do FMI Rodrigo Rato

Fontes afirmam que investigação está focada em “complexa rede familiar”

Promotoria acusa ex-ministro de fraude, lavagem de dinheiro e ocultação de bens

Rodrigo Rato ao deixar prisão.

Rodrigo Rato, ex-vice-premiê da Espanha, ex-ministro da Economia e Fazenda, ex-diretor-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI) e ex-presidente do Bankia, considerado o pai do milagre econômico do Partido Popular (PP), foi detido na quinta-feira em sua casa em Madri, pouco depois das 16h no horário local (11h em Brasília). Cerca de 15 agentes do Serviço de Vigilância Aduaneira entraram em sua casa com um mandado de prisão, depois de uma denúncia da promotoria que o acusa de ocultação de bens, lavagem de dinheiro e fraude fiscal.

A promotoria, que iniciou a investigação e os procedimentos autorizados judicialmente, pediu que Rato fosse solto, e o ex-ministro pôde passar a noite em casa, quando foram concluídas as inspeções, nas quais tem que estar presente. A prisão de um dos políticos que mais poder acumulou na Espanha — depois de ser vice-presidente de Economia de José María Anzar, foi diretor-gerente do FMI — ocorreu depois que o promotor de Madri, Carlos García Berro, formalizou a acusação de fraude fiscal, lavagem de dinheiro e ocultação de bens, que neste caso poderia encobrir dívidas ou fianças.

O titular do Tribunal 35 de Madri, Enrique de la Hoz, acatou a acusação dirigida contra Rato e outras pessoas de seu círculo familiar direto, entre as quais se encontra uma irmã. Também foi solicitado um mandado de busca “imediato” no domicílio, que foi aceito pelo magistrado. Detalhes sobre o caso ainda são confidenciais. Fontes dizem que o foco das investigações está nos negócios privados do ex-ministro e não nos lucros derivados de sua atividade pública. Outras fontes indicam que se trata de uma investigação sobre negócios familiares, “uma complexa rede corporativa familiar”.

Fontes dizem que o foco das investigações está nos negócios privados do ex-ministro e não nos lucros derivados de sua atividade pública

Nos últimos seis meses, Rato viajou pelo menos três vezes à Suíça, a última delas neste mês de abril. Em dezembro passado, o partido UPyD, que está no lado da acusação no caso Bankia, no qual Rato foi indiciado por apropriação indevida, falsificação de documentos e administração desleal, pediu a prisão do ex-ministro por risco de fuga.

A denúncia da promotoria e inspeção dos imóveis ocorreram depois de ter sido revelado que Rato recorreu à anistia fiscal aprovada pelo Governo do primeiro-ministro espanhol Mariano Rajoy, em 2012. O ex-presidente do Bankia passou então a formar parte dos 705 investigados pelo Serviço Executivo de Prevenção e Lavagem de Dinheiro (Sepblac), por possível crime de lavagem. Rato foi indiciado em dois processos: sobre a abertura de capital do Bankia e uso de cartões corporativos da Caja Madrid e Bankia. A operação da quinta-feira não tem nada a ver com esses dois casos investigados pela Audiência Nacional.

O Governo afirmou que os processos provam que é “implacável” na luta contra a fraude, que o Estado de Direito funciona, e que a lei é “igual para todos”.

“Não tenho empresas em paraísos fiscais”

Íñigo de Barrón

Rodrigo Rato negou, nesta sexta-feira ao EL PAÍS, possuir empresas em paraísos fiscais e em qualquer país fora da União Europeia, em referência à investigação aberta pela Agência Tributária por lavagem de dinheiro, fraude fiscal e ocultação de bens, o que levou a sua prisão nas últimas horas. “Não tenho nenhuma empresa em nenhum paraíso fiscal e nem em qualquer país fora da União Europeia”, defende Rato.

Sobre a possibilidade de que tenha desviado fundos para empresas nas Ilhas Virgens, Rato afirmou: “Não tenho nada lá, a única relação que tenho com esse paraíso é que trabalho com um advogado britânico que tem um de seus escritórios nas Ilhas Virgens, mas eu, com este escritório, tenho uma empresa dentro do Reino Unido. Em nenhuma ilha do Canal, nem em outro país, dentro do Reino Unido”.

O ex-ministro do PP nega também uma possível ocultação de bens. Declara que não fez “nenhuma compra nem venda” de suas propriedades “nos últimos 13 meses”. “Portanto, não vendi nem comprei bens”, afirma. Como parte da investigação, a promotoria solicitou que Rato entregasse documentação referente ao seu patrimônio de várias décadas.

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