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Milhares de estudantes saem às ruas em meio à crise política no Chile

Secundaristas e universitários marcham “por mais democracia e menos corrupção”

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Estudantes manifestam-se pela educação no Chile. EFE

Aproximadamente 100.000 estudantes chilenos saíram às ruas de Santiago na quinta-feira para exigir uma reforma estrutural da educação – construída em conjunto com o movimento social – e protestar por mais democracia e menos corrupção em meio à crise institucional mais profunda enfrentada pelo país nas últimas décadas. Com várias questões abertas sobre acusações de política e dinheiro que envolvem diversos setores do Governo e da oposição, a primeira manifestação dos jovens em 2015 não só foi uma das maiores desde os protestos de 2011, como também pegou o descontentamento pela forma como as autoridades do Governo, Parlamento e partidos enfrentam os escândalos investigados pela Promotoria.

A mobilização, que terminou com incidentes menores, foi convocada pela Confederação de Estudantes do Chile (CONFECH), um agrupamento de federações de universidades do Estado (públicas e privadas) e teve a adesão de alunos secundaristas e professores. Os estudantes marcharam pelo centro de Santiago, onde em frente ao prédio central da Universidade do Chile, a universidade pública mais importante e antiga do país, um cartaz gigante dizia: "Mais democracia e menos corrupção, o Chile decidirá sobre sua educação". A capital teve a maior concentração de pessoas, mas os protestos também aconteceram em cidades como Valparaíso, La Serena e Punta Arenas, no extremo sul do país. "A crise que estamos vivendo afeta as reformas, por isso é importante ir às ruas", explicou Valentina Saavedra, porta-voz da CONFECH e presidenta da Federação dos Estudantes da Universidade do Chile.

A reforma educativa está contemplada no programa do segundo Governo de Bachelet (2014-2018), é o ponto chave de sua Administração, e algumas etapas fundamentais foram aprovadas no primeiro mandato. A maioria dos projetos de lei que mudaram o sistema, entretanto, ainda devem ser elaborados pelo Governo e discutidos no Parlamento, o que faz os jovens pedirem maior participação. Saavedra explicou que nas últimas reuniões feitas com o Ministério da Educação "não existiam posturas claras e isso é inaceitável". Em meio à crise política provocada pelo escândalo do caso Penta-Soquimich e a questão da Caval, que envolve a nora e o primogênito da Presidenta, a sensação de alguns setores é que o Executivo encontra-se imobilizado. "Se as reformas não andarem em La Moneda, iremos empurrá-las com os movimentos sociais. Neste dia 16, eu marcho com estudantes e professores", escreveu o deputado Gabriel Boric, ex-líder estudantil do movimento Esquerda Autônoma.

“Se as reformas não andarem em La Moneda, iremos empurrá-las com os movimentos sociais. Neste dia 16, eu marcho com os estudantes e professores”

O deputado Gabriel Boric, ex-líder estudantil do movimento Esquerda Autônoma

A presidenta descartou quaisquer tipos de "acordos" que impeçam a descoberta da verdade nos supostos casos de corrupção investigados pelo Ministério Público, mas a população duvida que os fatos sejam investigados até as últimas consequências, dada a importância dos envolvidos. Na quarta-feira foi revelado que o ministro do Interior de Bachelet, Rodrigo Peñailillo, recebeu pagamentos da empresa Assessorias e Negócios, que pertence a Giorgio Martelli, operador político e arrecadador de dinheiro para campanhas políticas de centro-esquerda. A companhia recebeu contribuições da Soquimich, a empresa de ex-genro do ditador Augusto Pinochet investigada pelo Ministério Público pois políticos, familiares de políticos e dirigentes, militantes de diversas correntes, assessores e funcionários públicos de várias administrações emitiram boletos e faturas supostamente irregulares a essa empresa. O chefe de gabinete da Presidenta explicou que fez o trabalho, que a Assessorias e Negócios é uma empresa real e que 2012 não era ano de campanha, mas não está claro se suas explicações serão suficientes.

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