Processo de paz na Colômbia

Após ataque das FARC, Santos retira ordem de suspensão a bombardeios

Guerrilheiros mataram 10 militares em meio a trégua unilateral declarada pelo presidente

Protesto em Bogotá pedia fim da violência, dia 9 de abril.
Protesto em Bogotá pedia fim da violência, dia 9 de abril. EITAN ABRAMOVICH (AFP)

Dez militares colombianos morreram nesta quarta-feira e outros 20 ficaram feridos num ataque da guerrilha FARC contra uma brigada militar no departamento do Cauca, sudoeste do país, segundo fontes oficiais. O ataque viola a trégua unilateral e indefinida que a guerrilha declarou em 20 de dezembro e que vinha cumprindo até agora, segundo o Governo. Foi o que disse o presidente Juan Manuel Santos, que decidiu retirar a ordem de suspender os bombardeios a acampamentos das FARC, que vinha sendo cumprido desde 10 de março.

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O ataque foi realizado durante a madrugada em La Esperanza, na zona rural do município de Buenos Aires, por guerrilheiros da coluna móvel conhecida como Miller Perdomo. Os militares faziam uma operação de controle territorial para garantir a segurança dos habitantes da região quando foram atacados com explosivos, granadas e outras armas de fogo, segundo o comandante da Terceira Divisão do Exército, general Mario Augusto Valencia.

Os mortos são o cabo Elber Leitan Benavides e nove soldados profissionais. A maioria dos feridos foi atingida pela onda de explosões. “Este comando expressa seu sentimento de condolências e solidariedade aos heróis da pátria que ofereceram suas vidas pela segurança do Cauca”, disse o general Valencia.

O presidente Juan Manuel Santos reagiu rapidamente pela sua conta no Twitter, lamentando a morte dos soldados e anunciando que se deslocará imediatamente à região para esclarecer as circunstâncias do ataque. “Esta é precisamente a guerra que queremos terminar”, escreveu ele na rede social.

O defensor do Povo, Jorge Armando Otálora, qualificou o ataque como algo “abertamente contraditório ao discurso que os negociadores das FARC enviam de Havana”, um golpe à confiança dos colombianos no processo de paz.

O ataque ocorre num momento em que o Governo e as FARC anunciavam uma iminente redução da intensidade do conflito armado, uma das maiores reivindicações dos colombianos. O anúncio da trégua unilateral da guerrilha, em dezembro, somou-se a um acordo entre as duas partes para começar a eliminar de minas dos territórios mais afetados por esse flagelo que deixou mais de 11.000 mortos desde 1990. Além disso, Santos anunciou há pouco mais de um mês, em 10 de março, a suspensão dos bombardeios contra os acampamentos guerrilheiros, uma medida que foi prorrogada por igual período há apenas cinco dias, sob o argumento de que as FARC vinham cumprindo a sua trégua.

O Centro de Recursos para a Análise do Conflito (CERAC), que monitora o cessar-fogo das FARC, disse em seu relatório por ocasião dos três meses da trégua que apenas seis ações ofensivas das FARC haviam sido registradas nesse período, sendo três ataques às forças de segurança, duas ameaças com constrangimento a civis e um incêndio de um veículo de transporte de passageiros, sem ocorrência de mortos ou feridos. Mas, há três dias, dois soldados morreram em confrontos com guerrilheiros em Antioquia, no noroeste do país. O Exército denunciou que as FARC teriam usado a população civil como escudo, o que seria uma infração às normas internacionais de direitos humanos.

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