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Netanyahu acredita que pacto nuclear é uma ameaça à existência de Israel

Primeiro-ministro assegura a Obama que o acordo aumenta o risco de uma nova guerra

Benjamin Netanyahu, em 31 de março.
Benjamin Netanyahu, em 31 de março. EFE

Para os dirigentes israelenses, a ameaça iraniana fica um pouco mais real após o acordo conseguido na quinta-feira em Lausanne (Suíça). Benjamin Netanyahu, o primeiro-ministro de Israel, transmitiu suas preocupações a Barack Obama por telefone. O acordo “é uma ameaça à existência de Israel”, disse o mandatário ao seu homólogo norte-americano.

Mark Regev, o porta-voz do primeiro-ministro, citou no Twitter alguns comentários da conversa telefônica que aconteceu horas depois de tornar-se público o acordo entre as seis potências e o Irã após oito sessões de negociações. O pacto, assegura Netanyahu, “não bloqueia o caminho do Irã para conseguir a bomba, o pavimenta. Aumenta o risco da proliferação nuclear e o de uma horrível guerra”.

O ministro de Assuntos Estratégicos, Yuval Steinitz, também lamentou o acordo conseguido na Suíça. “Os sorrisos de Lausanne estão desconectadas de nossa triste realidade”, afirmou em um comunicado.

Fontes governamentais israelenses, citadas pelo jornal Haaretz, qualificaram o acordo como um “erro histórico que transforma o mundo em um lugar muito mais perigoso”. Segundo essas fontes, o acordo-marco “dá legitimidade internacional ao programa nuclear iraniano”, que “não tem a paz como objetivo, mas a guerra”.

Quando as negociações entravam na reta final Netanyahu lembrou “o terrorismo e as agressões” do Irã e instou a conseguir um pacto “que reduza consideravelmente as capacidades nucleares de Teerã”.

“Continuaremos nos esforçando para explicar e convencer o mundo na esperança de evitar um acordo definitivo ruim” em junho, prometeu Steinitz na quinta-feira. Horas antes, ele afirmou que Israel não descartava a opção militar para combater a ameaça iraniana.

Nos últimos dias, Netanyahu repetiu insistentemente o que vem dizendo há meses e o que a maior parte da população acredita: os israelenses não podem fechar os olhos diante “do perigo existencial” que um Irã nuclear representa para eles e têm “a obrigação de se defender”.

O Governo israelense considera que somente o isolamento internacional, um aumento das sanções econômicas contra o Irã e a interrupção total de suas atividades de enriquecimento de urânio podem impedir que Teerã se transforme em uma ameaça nuclear. Segundo disse Netanyahu na última semana de março, um acordo como o conseguido em Lausanne “reduzirá a menos de um ano” o tempo que o Irã precisa para conseguir uma arma atômica.

A ameaça iraniana foi um dos temas centrais da campanha eleitoral de Netanyahu, reeleito em 17 de março para o terceiro mandato consecutivo. Além disso, as negociações das seis potências e Israel foram uma das razões do recente esfriamento das relações entre os EUA e Israel. Há exatamente um mês, Netanyahu pronunciou um discurso no Congresso norte-americano sobre o perigo de conseguir um acordo sobre o programa nuclear de Teerã. “Se Israel precisar lutar sozinha, lutará sozinha”, garantiu.

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