Unasul pede que os EUA revoguem as sanções contra a Venezuela

Intromissão do presidente Obama na região criou “uma tensão muito forte”, avaliam líderes

Os ministros de exteriores de Uruguai, Peru e Equador, na reunião da Unasul.
Os ministros de exteriores de Uruguai, Peru e Equador, na reunião da Unasul.José Jácome (EFE)

A Venezuela provou, no último sábado, que é capaz de reunir as forças dos países vizinhos. Os doze chanceleres da União das Nações Sul-Americanas (Unasul) compareceram à reunião extraordinária de Quito, no Equador, apesar de terem sido convocados de última hora. O objetivo do encontro foi chegar a uma posição comum sobre a decisão de Washington de classificar a Venezuela como “um problema de segurança nacional”. Ao final de quase três horas de reunião, Rodolfo Nin Novoa, chanceler do Uruguai, país que ocupa a presidência temporária da Unasul, manifestou o “rechaço” da região à sentença de Barack Obama sobre a Venezuela. O comunicado menciona que a atitude americana constitui uma “ameaça à soberania do país e ao princípio de não intervenção nos assuntos internos dos Estados”.

Ernesto Samper, secretário-geral da Unasul, assegurou que a chanceler da Venezuela, Delcy Rodríguez, ficou “satisfeita” com o “apoio total” que conseguiu em Quito e adiantou que não está previsto um encontro entre os líderes da Unasul para este assunto, ainda que o Uruguai tenha ficado com a tarefa de consultar com os presidentes da região sobre um próximo encontro.

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Sobre a visita da delegação venezuelana à Organização dos Estados Americanos (OEA), Samper disse que “espera que possa tomar um cafezinho com os Estados Unidos” durante ela e ver se resolve a situação “por bem ou por mal”. Assegurou que a intromissão dos Estados Unidos na região criou “uma tensão muito forte” e que ninguém entende como está abrindo espaço para Cuba e fechando para a Venezuela.

A reunião urgente dos chanceleres é o primeiro evento na sede da Unasul, inaugurada em dezembro do ano passado. O chanceler do Uruguai, Rodolfo Nin Novoa, que tem apenas 15 dias no cargo, elogiou a disposição de seus colegas para comparecer ao encontro que inicialmente deveria ter acontecido em Montevidéu, dois dias antes, mas foi suspenso por causa do mal-estar criado pelas declarações de Nicolás Maduro a respeito do vice-presidente do Uruguai, Raúl Sendic.

Sendic havia dito em uma entrevista que não tinha elementos para afirmar que há ingerência dos Estados Unidos na Venezuela, e Maduro lançou-lhe um dardo: “Chávez me dizia: ‘Fique tranquilo, Nicolás, o mundo está cheio de covardes’. E aparece um covarde tentando ganhar a indulgência dos gringos”.

O Uruguai emitiu, em seguida, um comunicado no qual qualificava as declarações do presidente venezuelano como “não amistosas” e suspendeu a reunião de chanceleres. Mas o secretário-geral da Unasur, Ernesto Samper, e o chanceler do Equador, Ricardo Patiño, consertaram a reunião. Tudo foi feito por telefone, desde a noite da última quarta-feira, quando Montevidéu cancelou o encontro, até o meio-dia da quinta-feira, quando Patiño confirmou, pela sua conta no Twitter, que o encontro de chanceleres seria em Quito.

Duas horas antes da chegada das delegações dos doze países, dezenas de pessoas foram à Metade do Mundo, onde fica a sede da Unasul. A grande maioria pertencia aos Comitês de Revolução Cidadã, nome que levam as células partidárias do partido governista Alianza País. Nos cartazes que mostravam, alguns com o logo da PDVSA, liam-se slogans a favor de Maduro, Chávez e a Revolução Bolivariana e a hashtag: #Venezuelanãoestásozinha.

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