Papa Francisco: “Ser bom católico não significa ter filhos como os coelhos”

Papa suaviza fala sobre o Charlie Hebdo e defende liberdade de expressão “com prudência”

O Papa fala com jornalistas em seu voo de retorno da Ásia. (atlas)

Durante o voo de retorno a Roma, na última segunda-feira, depois da viagem que fez a Sri Lanka e às Filipinas, o papa Francisco esclareceu as declarações que deu alguns dias atrás sobre os limites da liberdade de expressão – “se o doutor Gasbarri falar mal de minha mãe, pode esperar um soco” – e que geraram certa polêmica. Indagado novamente sobre o assunto, depois dos atentados de Paris, o papa precisou: “Teoricamente falando, não devemos reagir a uma provocação ou a uma ofensa com violência. Podemos dizer o que diz o Evangelho, oferecer a outra face. Todos estamos de acordo quanto à teoria, mas somos humanos, e a prudência é uma virtude da convivência humana. A liberdade de expressão deve levar a realidade humana em conta e deve ser acompanhada da prudência, para não encolerizar os demais.”

O papa Francisco também lançou um apelo pela “paternidade responsável”. “Algumas pessoas pensam, me perdoem a expressão, que para ser bom e católico é preciso ser como os coelhos”, falou Francisco aos 70 jornalistas no voo papal. Explicou a seguir que os técnicos aconselham que a média de filhos “seja três por família”, para manter a população.

Francisco, que se declarou comovido pelo fato de a missa em Manila ter sido acompanhada por mais de seis milhões de pessoas, qualificou de “terrorismo de Estado” a corrupção que chega a levar um número crescente de pessoas – muitas delas crianças -- a situações de carência e pobreza absoluta: “A corrupção, assunto que está na ordem do dia, é roubar do povo. A pessoa corrupta que faz negócios corruptos ou governa de forma corrupta rouba dos pobres. As vítimas são os pobres.”

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O papa anunciou que este ano pretende visitar o Equador, Bolívia e Paraguai e, em 2016, Chile, Argentina e Uruguai. Também confirmou a viagem já anunciada a Filadélfia – para a Jornada Mundial da Família, que terá lugar em setembro --, Nova York e Washington. Perguntado se não ia aproveitar para entrar nos Estados Unidos pela fronteira do México, ele disse: “Seria bonito, como sinal de irmandade e de apoio aos imigrantes. Mas ir ao México sem visitar a Virgem de Guadalupe seria um drama. Desencadearia uma guerra”, brincou, “e não há tempo.” Ele acrescentou que em 2015 também vai viajar a Uganda e à República Centro-Africana.

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