O médico argentino que colocou Dilma (e a Esplanada) de dieta

Criador do método que virou 'febre', Máximo Ravenna quer encontro com presidenta "Quero comandar o tratamento dela", diz o médico com clínicas em capitais brasileiras

Dilma desfilou,na cerimônia de posse, 6kg mais magra.
Dilma desfilou,na cerimônia de posse, 6kg mais magra. (Agência Brasil)

"Quero garantir que saia tudo 100%", afirma o médico portenho Máximo Ravenna, responsável pela dieta que ajudou a presidenta Dilma Rousseff a perder seis kg em dez dias e virou febre entre parlamentares e ministras em Brasília. Ravenna afirmou ao EL PAÍS que pretende, nos próximos dias, encontrar a presidenta brasileira pela primeira vez. "Até o momento o que fiz foi mandar para ela alguns livros sobre o assunto e notas que escrevi. Agora, quero que a gente se conheça pessoalmente para que eu possa comandar o tratamento dela", explica.

Segundo o médico, é responsabilidade dele verificar se a dieta da presidenta Dilma está sendo realizada de maneira correta e não nega que será rígido com a mandatária brasileira. "Suponhamos que a equipe dela, por respeito a presidenta, não exija tanta disciplina como eu poderia fazer", afirma.

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A preocupação de Ravenna se justifica. Dilma é agora sua mais famosa garota propaganda -- o sucesso dela com a dieta será também o seu. Mas o trunfo pode se voltar contra ele, no caso da presidenta desistir do método, por isso ele evita fazer "futurologia": “Sinto-me apenas muito honrado por ela ter escolhido o meu tratamento pela eficácia já aprovada. O que vamos fazer é trabalhar como corresponde, com absoluto cuidado, e com a mesma exigência, sem abrir exceções”, conclui.

O método de Ravenna, que permite a ingestão de cerca de 900 calorias por dia, não possui nenhuma fórmula revolucionária: são retirados do dia a dia alimentos com alto índice glicêmico e carboidratos. Os pratos, com pequenas porções, precisam ser balanceados com carne magra, legumes e verduras. As frutas também são permitidas, por exemplo, para substituir a sobremesa. Além disso, o plano de emagrecimento conta com atividades físicas e sessões de acompanhamento terapêutico. Diferentemente do conselho de muitos nutricionistas, não é necessário comer de 3 em 3 horas."Se estabeleço esse intervalo para comer, fico atento o tempo todo à comida, pensando o tempo todo em comer", explica o médico.

Dilma não segue a risca o tratamento, já que, ao que se sabe, não cumpre um dos princípios básicos, que é o acompanhamento terapêutico na clínica, porém sua equipe está em contato com funcionários de Ravenna para entender melhor o método. O médico afirma que quando passar o "momento mágico" de perda de peso, a chefe do Executivo precisará continuar trabalhando na sua motivação e no desejo de seguir se controlando. "Vai ser difícil para ela assim como é para qualquer pessoa que tenha uma vida social muito ativa. Ela terá que ser moderada e saber as consequências de regredir na dieta. É uma pessoa que está constantemente exposta aos comentários. O político tem que dar uma ideia de sobriedade e moderação", destaca.

Boca a boca em Brasília

O método do argentino chegou aos ouvidos de Dilma através da ministra da Secretaria de Políticas Públicas para Mulheres, Eleonora Menicucci, que apareceu 17 kg mais magra após seguir o plano de emagrecimento a risca. Os ensinamentos do argentino também já tinham ganhado mais adeptos, entre eles Miriam Belchior, ex-ministra do Planejamento, José Eduardo Cardozo, ministro da Justiça, e a deputada federal Erika Kokay (PT-DF), que teria sido a responsável por introduzir a dieta no meio político. Após conhecer Ravenna, a petista emagreceu 24 kg.

Médico Máximo Ravenna quer encontrar com Dilma.
Médico Máximo Ravenna quer encontrar com Dilma. (Divulgação)

"Foram os ministros que incentivaram a senhora Dilma a fazer o tratamento", afirma Ravenna, que explica que a difusão dos seus ensinamentos sempre foi o boca a boca. Segundo o médico argentino, os assessores da presidência procuraram sua clínica em Brasília para colocar a chefe de cozinha do Planalto e a médica da presidenta em contato com a equipe dele para transmitir o plano de emagrecimento. A meta de Dilma é perder 13 kg.

Linha dura

Ravenna abriu sua primeira clínica em 1993, em Buenos Aires, onde já atendeu clientes famosos como o ídolo do futebol Diego Maradona. A primeira unidade no Brasil começou a funcionar há 6 anos em Salvador e, um ano depois, já chegava a São Paulo. A marca fincou base também em Brasília em 2012. Os espaços reúnem consultórios, restaurante light, salas de exercício e de eventos. Os pacientes podem inclusive comprar pratos congelados feitos para a dieta. Os centros do guru da dieta possuem sedes em outros três países: Paraguai, Uruguai e Espanha. Ele se orgulha de não incluir remédios inibidores de apetite e nem cirurgias em seus planos de emagrecimento.

O argentino, que também se considera italiano e "meio brasileiro", confessa que também gosta dos alimentos calóricos que nos seduzem diariamente. "É muito fácil comer um pão de queijo, uma pizza, mas emagrecer é para quem tem vontade. Se você não tem vontade nem energia, fique gordo. Afinal, você não vai morrer só por causa disso. Se você quer ser uma pessoa que triunfa, não pode correr uma maratona sem treinar. A vida precisa de atenção plena. Não podemos ser amáveis com os pacientes e permitir uma saidinha da dieta", diz.

O médico compara o seus pacientes em dieta com drogados em abstinência: estão sempre se  manipulando e procurando motivos para se drogar. Estão, segundo ele, todo o tempo dizendo "não como tanto, nem como muito", "uma cervejinha não tem problema". "Claro que a comida é necessária, não se pode deixar de comer, como se pode deixar as drogas. Mas o que precisamos entender é que podemos excluir do cardápio comidas que não são necessárias. Algumas pessoas tem debilidade com alguns alimentos calóricos e, se não conseguem se controlar, terão que eliminar da dieta". O segredo, explica Ravenna, é que os pacientes compreendam o vínculo que têm com a comida. 

O básico do método Ravenna

  • O método consiste em três pilares: corte dos excessos, ajuste das medidas do prato, corpo e roupa e distância da comida. Segundo o médico, é preciso perceber que é possível não comer tanto nem tantas vezes.
  • A dieta Ravenna libera o consumo de alimentos com baixo índice glicêmico, enquanto propõe, no início, que os carboidratos refinados sejam eliminados da dieta. Não entra nem arroz integral.
  • Os pratos são formados por carnes magras, legumes e verduras. Frutas e o cafezinho também entram na dieta.
  • O médico argentino sugere que você faça apenas quatro refeições por dia e que no almoço e no jantar sejam consumidos um caldo e uma salada antes dos pratos principais.
  • Há também um plano de exercícios para ser seguido, como musculação funcional e pilates.
  • Os pacientes também participam de grupos terapêuticos, duas vezes por semana, para compartilhar a experiência da dieta. O plano mensal que inclui consultas com médicos, psicólogos, nutricionista e educadores físicos custa cerca de 1.500 reais.

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