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Presos mais dez policiais suspeitos de participação na chacina de Iguala

Prisões ainda não trazem revelações sobre o desaparecimento dos 43 estudantes

Manifestação pelo sumiço dos estudantes, em 31 de dezembro.
Manifestação pelo sumiço dos estudantes, em 31 de dezembro. REUTERS

As autoridades mexicanas prenderam outros 10 policiais do município de Iguala, em Guerrero, ligados à morte de seis pessoas e ao desaparecimento de 43 estudantes da escola rural de Ayotzinapa, em 26 de setembro. Essa é a primeira notícia divulgada em 2015 sobre um caso que aguarda julgamento e que marcou a presidência de Enrique Peña Nieto.

As detenções foram realizadas em uma região de Guerrero e em uma data não especificadas por membros da Procuradoria-Geral e da Guarda Civil, uma divisão da Polícia Federal criada expressamente por Peña Nieto para patrulhar as áreas atingidas pelo narcotráfico. A Guarda Civil chegou em outubro a Guerrero, um dos Estados mais violentos do país, para assumir a segurança pública de Iguala. Os policiais detidos foram transferidos para a Cidade do México para serem interrogados em uma subprocuradora especializada em delitos do crime organizado.

Desde a fatídica noite de 26 de setembro, foram presos 58 policiais de Iguala e de Cocula, um município contíguo, dentro de um grupo de 90 do qual também fazem parte narcotraficantes e políticos envolvidos no caso. A Procuradoria acredita que os agentes trabalhavam para o Guerreros Unidos, o cartel da região, e entregaram os estudantes aos narcotraficantes para serem executados. Até hoje, apenas um dos desaparecidos, Alexander Mora, foi identificado, graças aos restos ósseos que os peritos encontraram em um lixão da região.

As buscas, no entanto, ainda não conseguiram descobrir peças fundamentais desse quebra-cabeças que tem desafiado as autoridades. Felipe Flores Velázquez, ex-chefe da polícia de Iguala (que foi preso e libertado pela polícia ministerial de Guerrero pouco depois do incidente), continua foragido apesar de o Governo ter lançado uma caçada em todo o país para localizá-lo.

As declarações do líder do Guerreros Unidos, Sidronio Casarrubias, detido em outubro, dão conta de que seu operador na região, Gildardo López Astudillo, apelidado de El Gil, está escondido junto com Felipe Flores na serra de Guerrero. Os dois suspeitos poderiam confirmar que José Luis Abarca, prefeito de Iguala, deu ordens para que o chefe policial prendesse os estudantes e os entregasse aos narcotraficantes.

Abarca e sua esposa, María de los Ángeles Pineda, foram detidos em 4 de novembro na Cidade do México. O casal foi apontado pelas autoridades como autores intelectuais do crime. Abarca está em uma prisão de segurança máxima, acusado de homicídio qualificado de um de seus adversários políticos. Já contra sua esposa foi mais difícil encontrar elementos substanciais para acusá-la de ter ligação com o narcotráfico. A Procuradoria teve que recorrer a uma medida cautelar usada para deter um suspeito enquanto o Ministério Público busca provas e elementos para acusa-lo de um crime.

A Procuradoria teve que ampliar a medida duas vezes para ganhar tempo e seguir com as investigações. O terceiro período de prazo da medida vence nesta segunda-feira. O procurador Jesús Murillo Karam destacou que não existe possibilidades de Pineda sair livre, porque ela será indiciada por delitos graves como crime organizado e lavagem de dinheiro.

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