Paquistão decide reativar pena de morte em casos de terrorismo

Governo de Nawaz Sharif se reúne nesta quarta-feira com principais partidos políticos

Enterro de duas das crianças assassinadas no massacre. Atlas / Reuters (atlas)

O primeiro-ministro do Paquistão, Nawaz Sharif, decidiu nesta quarta-feira retirar a moratória sobre a aplicação da pena de morte no país em "casos relacionados com o terrorismo", informou um porta-voz do Governo, Mohiuddin Wani. O anúncio é feito um dia depois do atentado do Talibã que terminou com 144 mortos em uma escola em Peshawar, dos quais 132 eram crianças e adolescentes.

A moratória nas execuções foi imposta em 2008 pelo então presidente Asif Ali Zardari e foi renovada temporariamente pela Administração de Sharif no ano passado. Apesar de alguns tribunais continuarem decretando a pena de morte, só uma pessoa foi executada desde então: um soldado, em cumprimento a uma sentença dada por um tribunal militar em 2012. A organização de defesa dos direitos humanos Anistia Internacional calcula que o Paquistão tenha hoje mais de 8.000 réus no corredor da morte.

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O chefe do Exército paquistanês, Raheel Sharif, chegou à capital do vizinho Afeganistão para discutir com líderes locais uma coordenação de operações contra militantes do Talibã que operam nas porosas zonas de fronteira entre os dois países. Nesta quarta-feira, o prefeito da cidade afegã de Sherzas, localizada na província oriental de Nangarghar, anunciou que pelo menos 11 militantes, entre eles quatro membros da facção paquistanesa do grupo, morreram após um bombardeio realizado por um avião não tripulado norte-americano, na terça-feira.

Tanto o ramal afegão quanto o paquistanês do Talibã mantêm uma insurgência que busca instaurar a lei islâmica em seus respectivos territórios. No entanto, o porta-voz do Talibã no Afeganistão, Zabihullah Mujahid, condenou o ataque à escola em Peshawar e afirmou que sua organização "sempre" condenou a violência contra crianças: "O Estado Islâmico do Afeganistão expressa sua tristeza pelo incidente e oferece suas condolências às famílias das crianças assassinadas. A matança intencional de pessoas inocentes, mulheres e crianças, vai contra os princípios do Islã e esses princípios precisam ser levados em consideração por cada muçulmano", diz, em um comunicado.

Vigílias, rezas e funerais

Nesta quarta-feira, o Paquistão amanheceu com bandeiras hasteadas a meio pau, escolas fechadas e o início dos funerais, após o massacre na escola de Peshawar. Vigílias com velas e rezas em mesquitas, em homenagem às vítimas, foram realizadas ao longo da noite de terça-feira em diferentes cidades paquistanesas, enquanto em Peshawar começaram os ritos funerários que serão feitos de maneira coletiva entre fortes medidas de segurança.

Ainda nesta quarta-feira, em Peshawar, o Governo se reúne com os principais partidos do país para discutir a situação após o ataque, descrito pelo primeiro-ministro como "uma tragédia nacional", ao declarar três dias de luto. O líder do partido de oposição Pakistan Tehreek-e-Insaf (PTI), Imran Khan, que tomou a dianteira nos protestos e mobilizações contra o Governo, também estará presente no encontro.

Vários militantes do Talibã invadiram, na terça-feira, a Escola Pública do Exército em Peshawar e mataram 132 estudantes e nove professores, antes de serem abatidos a tidos pelas forças de segurança paquistanesas. Fontes médicas do hospital Lady Reading informaram o jornal local Dawn que três funcionários da escola acabaram sucumbindo aos ferimentos sofridos no ataque, o que eleva o total de vítimas fatais a 144. O principal facção do Talibã no Paquistão reivindicou a autoria do ataque, um dos mais graves já cometidos nos últimos anos, e disse se tratar de uma represália às operações das Forças Armadas contra seus militantes e suas "famílias" nas áreas tribais que fazem fronteira com o Afeganistão.