Ameaça Jihadista

Islã oficial condena os “crimes bárbaros” do Estado Islâmico

Clérigos muçulmanos e prelados das igrejas orientais analisam as raízes da violência

islã oficial condena os crimes do Estado Islámico. Reuters-Live (reuters_live)

Mais de 600 clérigos muçulmanos e prelados das igrejas cristãs do Oriente Médio participaram nesta quarta-feira do primeiro dia de uma conferência internacional para refutar as raízes religiosas da ideologia jihadista. O evento, realizado no Cairo, no Egito, é patrocinado pela Universidade de Al Azhar, principal instituição teológica do Islã sunita. 

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Em seu discurso inaugural, o grande imã de Al Azhar, Ahmed Tayeb, denunciou os “crimes bárbaros” do autodenominado Estado Islâmico (EI), a milícia jihadista que controla uma larga faixa de território na Síria e no Iraque. “Sob o manto desta religião sagrada, dão a si mesmos o nome de Estado Islâmico, em tentativa de exportar seu falso Islã, (...) que se baseia no massacre, na decapitação e na expulsão dos que discordam”, disse o clérigo, que acrescentou que fatores políticos e econômicos, além do religioso, explicam o crescimento de grupos como o EI.

A conferência inclui vários seminários nos quais se refletirá sobre a reinterpretação dos conceitos islâmicos feita por grupos extremistas. A fala de Tayeb teve dimensão mais política que teológica. Abordou as causas dos conflitos que assolam o mundo árabe e indicou atores externos: “Algumas pessoas sentem que nosso sofrimento é também um plano de Israel para se manter como o país mais poderoso da região, possibilidade que não podemos excluir”.

O grande imã também instou a coalizão contra o EI a ampliar seu raio de ação para “erradicar este terrorismo em todas as suas manifestações, doutrinas e escolas”, uma velada alusão à Irmandade Muçulmana, o movimento islâmico do presidente deposto Mohamed Morsi. Essa é a posição oficial do Egito, que insiste para que a coalizão internacional ponha a Irmandade no mesmo grupo que o EI.

A coincidência de postura do Executivo e de Tayeb não é obra do acaso. Desde 1961, é o presidente egípcio que nomeia o grande imã. A proximidade desgastante entre o poder político e a cúpula de Al Azhar é uma das razões da perda de prestígio da instituição e do crescimento dos extremistas.