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A Guerra Civil espanhola volta ao presente no Google Maps

Um roteirista norte-americano mistura capturas do Street View com imagens do conflito

Um cadáver caído em Madri na Guerra Civil. Ver galeria de fotos
Um cadáver caído em Madri na Guerra Civil.

“Dobrou os joelhos e caiu no chão. Ainda teve coragem para erguer o busto desprotegido e gritar, batendo furiosamente no peito: Aqui! Aqui! No coração! Canalhas!”. A história deste homem fuzilado em Madri, foi narrada por Manuel Chaves Nogales em A sangre y fuego. O silêncio da morte cobriria esse grito de coragem alguns segundos depois. O dele foi apenas um dos muitos corpos que ficaram caídos nas ruas de Madri durante a Guerra Civil nos mesmos lugares que todos os dias transitam milhares de pessoas. Sua pegada, apagada por sete décadas de passos, retoma a vida em uma montagem do roteirista Sebastian Maharg, que mistura imagens da época com representações do Google Street View.

“É um tapa da realidade. Vai deixá-lo atordoado enquanto o cérebro tenta assimilar as duas realidades, dois momentos no mesmo lugar”, explica o americano, cujas montagens foram mostradas pelo site Yorokobu. Maharg, que se define como um fã de história, ficou maravilhado ao ver montagens semelhantes para marcar o 70º aniversário do desembarque na Normandia em 6 de junho. “Você tem a sensação de viajar por um instante no tempo. Isso nos avisa de que vivemos sem perceber o que nos rodeia. Nessas mesmas calçadas foram vividos momentos dramáticos. “

O roteirista, filho de um professor escocês e outra espanhola, nasceu em Chicago. Seu avô materno, professor de Aldea del Obispo (Salamanca, Espanha), lutou no lado nacional. Combateu antes de morrer na frente em Extremadura, em janeiro de 1939. “As fotos estão aí, não são difíceis de encontrar, mas muitas pessoas se surpreende ao vê-las, porque estão acostumados a não mexer com o passado”, explica Maharg, que lembra as dificuldades que encontrou para ir aos cenários de batalha da Guerra Civil. “Em Paris e Berlim há uma visita guiada para ver os cenários do conflito, mas em Madri isso não existe. Continua a ser um assunto tabu”.

Para Maharg, que se orgulha de ter nascido em Oak Park, bairro de Chicago onde Ernest Hemingway cresceu, o Google Street View proporciona um toque universal. “É uma ferramenta que usamos todos os dias para ir a qualquer lugar.” No entanto, há ângulos que o aplicativo não capta. “O próximo passo é fazer fotos de mim e tentar encaixá-las. Em algumas é óbvio onde ir; em outras é preciso descobrir os lugares, e isso é o bonito.”

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