Petrobras promete “mais petróleo e mais transparência”

A empresa apresentou os resultados do terceiro trimestre e afirmou que são urgentes medidas para prevenir futuros escândalos

Graça Foster ao lado do diretor financeiro Almir Barbassa durante a coletiva de imprensa no Rio de Janeiro nesta segunda-feira.
Graça Foster ao lado do diretor financeiro Almir Barbassa durante a coletiva de imprensa no Rio de Janeiro nesta segunda-feira.SERGIO MORAES (REUTERS)

Em um momento “penoso e muito doloroso” para a companhia, a diretoria da Petrobras apresentou nesta tarde os resultados operacionais do terceiro trimestre da empresa estatal e anunciou a “urgente” criação de uma Diretoria de Governança que “melhore os filtros existentes” e previna futuros escândalos. A petrolífera está sendo atualmente investigada pela Polícia Federal pelo suposto desvio de três bilhões de dólares em uma rede de subornos, lavagem de dinheiro e financiamento irregular de partidos políticos que envolve dezenas de grandes empresas fornecedoras. A empresa justificou a decisão de adiar a publicação de seu balanço trimestral não auditado, tomada na semana passada, diante do impacto das confissões feitas à Justiça no dia 8 de outubro por seu ex-diretor de Abastecimento, Paulo Roberto Costa, e o doleiro e especialista em lavagem de dinheiro Alberto Youssef, ambos presos.

Os máximos responsáveis da maior empresa do Brasil e da América Latina, cujas ações voltaram a cair mais 0,5% nesta segunda-feira depois da prisão de uma vintena de diretores de grandes empresas na última sexta-feira em uma nova fase da Operação Lava Jato, afirmaram sua plena colaboração com a polícia e os órgãos de controle do país “pelo bem da Petrobras e do Brasil” e afirmaram que excluirão de futuras licitações as empreiteiras e empresas de engenharia com participação comprovada em subornos (como aconteceu há poucas semanas com a empresa holandesa SBM Offshore). “Estamos correndo contra o tempo”, declarou a presidenta da empresa, Graça Foster, “para fazer desse momento tão difícil uma empresa melhor”, alinhada com as declarações feitas no fim de semana na Austrália pela presidenta (e ex-presidenta do Conselho de Administração da Petrobras) Dilma Rousseff, que afirmou que o escândalo “poderia mudar o país para sempre”.

A Petrobras divulgou nesta segunda-feira a sua produção de outubro, atingindo o recorde histórico de quase 2,13 milhões de barris diários, mas admitiu que a sua produção neste ano deve ficar apenas entre 5,5% e 6% acima do resultado de 2013 – ou seja, abaixo da meta de expansão para 2014, que é de 6,5% a 8,5%.

Pressionada por jornalistas sobre por que a Petrobras não rompe relações com as empresas brasileiras investigadas pela polícia – ou seja, por que não adota o mesmo rigor com que lidou com a holandesa SBM, excluída de futuras licitações até que seja revelado o nome dos funcionários subornados –, Foster se limitou a admitir que desconhece os processos “com exatidão”. José Formigli, diretor de Produção e Exploração da companhia, prometeu que todas as empresas comprovadamente responsáveis por irregularidades receberão o mesmo tratamento. “Nossas relações futuras vão depender das investigações”, afirmou. Foster disse que o Governo brasileiro continua valorizando a política do “Compre Nacional” (que obriga à contratação majoritária de empresas e pessoal brasileiro em seus projetos), instaurada por Dilma Rousseff na época em que foi ministra da Energia, em 2003, e que está na origem da trama de corrupção investigada.

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“Temos o privilégio de ter recebido muitos prêmios técnicos, mas também queremos que nossos processos sejam respeitados. Isso é extremamente importante neste momento”, salientou Foster. “Temos resultados operacionais excepcionais, não somos uma empresa imobilizada”, declarou a presidenta da Petrobras, que assumiu esse cargo em 2012 e disse só ter sido informada sobre as suspeitas de corrupção quando a Operação Lava Jato teve início, em março deste ano.

Com relação ao adiamento na publicação do balanço trimestral (que não recebeu o aval da consultoria PwC), o diretor financeiro da empresa, Almir Barbassa, esclareceu que, se novas revelações derivadas da investigação policial indicarem a necessidade de alterar novamente a data para a divulgação (agora marcada para 12 de dezembro), a Petrobras não teria problema em “se ajustar”. Mas ele rejeitou os rumores de que o atraso estaria ligado a uma impossibilidade temporária de acessar a mercados de dívida, e que isso estaria afetando o funcionamento da maior empresa brasileira. “Trabalhamos com altos níveis de caixa […] Podemos operar durante seis meses ou mais sem acessar novas dívidas”. Barbassa enfatizou que a empresa não publicará balanços “incompletos”, e disse que hipotéticas revelações futuras como parte da Operação Lava Jato poderiam resultar em novos atrasos.

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