A ameça jihadista

Estado Islâmico reivindica a decapitação de outro refém dos EUA

Os jihadistas divulgaram um vídeo em que supostamente assassinam Peter Kassig

Imagem de Peter Kassig, enviada pela família.
Imagem de Peter Kassig, enviada pela família.AFP

Estado Islâmico (EI) reivindicou nas páginas jihadistas e no Twitter a suposta decapitação de mais um refém ocidental. Seria o colaborador norte-americano Peter Kassig, de 26 anos, ex-soldado, desaparecido desde 1º de outubro de 2013 quando viajava para o leste da Síria em missão humanitária.

Os muçulmanos divulgaram um vídeo no qual a decapitação não é mostrada, mas um homem mascarado –o suposto executor– com uma cabeça coberta de sangue a seus pés. Em inglês, e com sotaque britânico, o miliciano afirma: “Este é Peter Kassig, cidadão dos Estados Unidos”. As imagens estão sendo verificadas pelos EUA e Reino Unido.

O EI já tinha ameaçado matar o jovem em uma gravação anterior, na qual mostra o assassinato do colaborador britânico Alan Henning em outubro passado, e na qual dizia que Kassig seria o próximo se os ataques aliados contra os territórios controlados pelos jihadistas na Síria e no Iraque continuassem. “Peter, que lutou contra os muçulmanos do Iraque enquanto era soldado norte-americano, não tem muito o que dizer. Seus companheiros anteriores de cela falaram por ele”, acrescenta o carrasco, aludindo aos ocidentais previamente executados e aos que foram autorizados a falar, com mensagens forçadas contra os EUA e a Europa.

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Caso a autenticidade do novo vídeo se confirme, o assassinato de Kassig seria o quinto de um refém ocidental nas mãos do grupo. Seu assassino seria o mesmo homem –investigado pela inteligência britânica– como um de seus soldados, atualmente combatendo na Síria –que poderia ter ficado ferido em um bombardeio segundo o jornal Mail on Sunday.

As vítimas anteriores do EI, que divulga os vídeos macabros com ameaças de novas decapitações, foram os jornalistas norte-americanos James Foley e Steven Stoloff e os colaboradores britânicos David Haines e Alan Henning. Outro sequestrado, o cidadão francês Hervé Gourdel, foi assassinado no fim de setembro por um grupo radical simpatizante do Estado Islâmico no norte da Argélia.

Peter Kassig, de 26 anos, natural de Indiana, serviu como soldado no Iraque entre abril e julho de 2007, no 75º Regimento Ranger. Deixou a milícia por problemas médicos e decidiu voltar ao Oriente Médico como profissional de saúde, com o objetivo de ajudar os refugiados gerados pela guerra –mais de três milhões abandonaram o país. Seus pais informaram que em 2012 ele fundou uma ONG chamada Special Emergency Response and Assistance, e foi capturado a caminho de Deir ez Zor em uma de suas missões.

Quando se soube que o EI planejava matá-lo em pouco tempo se as ofensivas contra seus interesses não parassem, a família publicou uma carta que o colaborador lhes escreveu durante seu cativeiro, na qual garantia que tinha medo de morrer, mas que estava convencido de suas crenças, depois de ter se convertido ao Islã. Kassig mudou de fé em algum momento entre outubro e dezembro de 2013, depois de compartilhar a cela com um muçulmano sírio devoto, acrescentam os pais. Mudou então de nome para Abdel Rahman.

No início deste mês, um grupo de amigos do refém pediu sua libertação em uma coletiva de imprensa realizada em Trípoli, no norte do Líbano, informou a agência Efe.

Segundo a mídia local, um porta-voz desse grupo de apoio, Firas Agha, cidadão sírio refugiado em Trípoli e que colaborou com Kassig, destacou que o Islã “não permite aos muçulmanos matar outro muçulmano, sobretudo se ele fez boas ações”.

No novo vídeo, os jihadistas incluem novas ameaças principalmente contra os EUA e o Reino Unido e se vê também como executam outros reféns que, pelo uniforme, parecem ser soldados das tropas oficiais do presidente sírio Bachar al Assad. “Para [Barack] Obama, o cão de Roma, hoje estamos matando os militares de Assad e amanhã sacrificaremos os seus”, afirmam.

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