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FMI recomenda ao Brasil contas austeras e reformas econômicas

Diante de um cenário mais negativo para a economia mundial, Fundo aponta necessidade de melhorar o ambiente de negócios e de avanço nos investimentos em infraestrutura

A diretora do FMI com o governador de Queensland (Austrália), onde vai acontecer a cúpula do G-20.
A diretora do FMI com o governador de Queensland (Austrália), onde vai acontecer a cúpula do G-20. EFE

A recuperação econômica global ficou aquém do esperado, e para cobrir essa lacuna cada país terá que fazer sua lição de casa específica. A recomendação do Fundo Monetário Internacional (FMI) para o Brasil, por exemplo, em relatório divulgado nesta quinta-feira para o Grupo das 20 nações mais ricas (G-20), é trabalhar por uma situação fiscal mais consistente – leia-se controle das contas públicas, e ao mesmo tempo uma política monetária mais justa – leia-se calibragem da taxa de juros – caso as expectativas de inflação piorem.

O Fundo sugere reformas na área trabalhista e de educação, com vistas a melhorar os níveis de produtividade

O Fundo também sugere reformas na área trabalhista e de educação, com vistas a melhorar os níveis de produtividade, e aperfeiçoar o ambiente de negócios e para o investimento em países emergentes, como o Brasil. A necessidade de um projeto para corrigir gargalos na infraestrutura se tornam fundamentais diante de um cenário em que alguns obstáculos se mostram persistentes, especialmente na América Latina. O crescimento previsto para o continente este ano é de 1,3%, e de 2,2% em 2015, projeções de 1 ponto porcentual e 0,8 ponto porcentual menores, respectivamente, do que a projeção anterior, feita pela instituição. O baixo desempenho do comércio exterior, e as “idiossincrasias domésticas” de cada nação explicam essa revisão.

O Brasil, por exemplo, está hoje às voltas com um imbróglio no que diz respeito ao controle das contas públicas. Com gastos maiores do que a receita arrecadada, o Governo brasileiro tenta refazer os cálculos para fechar o ano, e garantir um resultado fiscal – diferença entre receitas e despesas, para pagamento de dívida – abaixo do que havia sido planejado no início deste ano. Para isso, quer alterar o compromisso estabelecido no início do ano – de 1,9% do PIB – dentro da Lei de Diretrizes Orçamentárias. Se mudar o limite, o resultado fiscal pode ficar próximo ou abaixo de zero.

O relatório aponta para um 2015 arrastado, com a China mantendo seu projeto de desaceleração – de um PIB de 7,4% este ano, para 7,1% no ano que vem -, um novo patamar de preços do petróleo, (queda de 20% desde setembro) e uma crescimento lento, perto da estagnação, tanto na zona do euro como no Japão, terceira maior economia do mundo. A baixa demanda e a produção industrial fraca em países como Alemanha e França revelam que o mundo está às voltas com o pessimismo com uma retomada econômica.

Apenas os Estados Unidos parecem responder à expectativa de crescimento, com uma alta de 3% do PIB no ano que vem. Trata-se de uma perspectiva importante para o Brasil, que deve retomar as negociações com o Governo de Barack Obama, que estavam paralisadas desde o ano passado, quando vieram à tona as denúncias sobre espionagem que partiriam do país norte-americano.

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