Carro atropela oito pedestres e mata um bebê em Jerusalém

Para o Governo de Benjamim Netanyahu, o incidente é um atentado terrorista

Polícia israelense analisa o carro que atropelou várias pessoas.
Polícia israelense analisa o carro que atropelou várias pessoas.Sebastian Scheiner (AP)

Uma menina de três meses morreu e oito adultos ficaram feridos em um atropelamento ocorrido na quarta-feira em plena Linha Verde, a divisa de Jerusalém Oriental, em Israel. Em nota, o gabinete do primeiro-ministro israelense, Benjamim Netanyahu, falou em “atentado terrorista”, mas a polícia e o ministério do Interior ressaltam que a investigação está em andamento, ainda que “tudo indique” se tratar de um “ataque intencional” de um motorista árabe.

Segundo o porta-voz da polícia, Micky Rosenfeld, o fato ocorreu por volta das 18h (14h em Brasília), quando um Volkswagen Passat cinza saiu da pista central da Estrada 1 e entrou numa parada de transporte público. Nesse exato momento, um bonde estava parado ali para o embarque e desembarque de passageiros. Segundo o relato de várias testemunhas à imprensa, o choque acertou em cheio o carrinho de bebê onde estava a pequena Haya Zisso, que sofreu um forte impacto na cabeça. Internada em estado crítico, a criança morreu algumas horas depois. Entre os outros feridos, há uma mulher de 60 anos em estado grave. Nenhum dos outros afetados corre risco de vida. O local fica a poucos metros da central de polícia de Jerusalém.

A polícia ainda investiga, mas indica um possível “ataque intencional” de um motorista árabe

As investigações visam esclarecer se o condutor de Jerusalém perdeu o controle do veículo ou investiu de propósito contra os passageiros. Um vídeo divulgado na noite de quarta-feira pelo Canal 10 da televisão israelense reforçava a tese de ato premeditado, pela precisão da manobra e porque o veículo avançou 14 metros pela parada, mas a polícia ainda pede “prudência”. Segundo o jornal Yedioth Ahronot, o motorista tentou fugir a pé depois do choque, mas um agente de segurança disparou contra ele. Seu estado de saúde é desconhecido no momento. Vários canais israelenses indicam que o suposto agressor é um palestino de Silwan (no leste de Jerusalém), libertado em 2013 depois de 16 meses na prisão. A polícia não confirma o delito pelo qual foi condenado.

Nenhuma reivindicação foi feita. Ofir Gendelman, um dos porta-vozes do gabinete de Netanyahu, disse em sua conta do Twitter que o condutor “era membro do Hamas”. Mais duro foi o próprio primeiro-ministro, que após conversações de emergência com sua equipe de segurança, emitiu uma nota acusando diretamente o presidente palestino Mahmud Abbas pela morte do bebê por “incitar” à violência.

O primeiro-ministro acusa diretamente o presidente palestino e “incitar a violência"

“É assim que os aliados de Abbas [pelo Hamas] atuam”, denunciou. “Um inimigo que mata crianças deve ser tratado como tal”, disse o ministro da Economia, o ultradireitista Naftali Bennet, segundo aliado mais importante de Netanyahu. Também defendeu que seja tratado como “atentado” qualquer lançamento de pedras.

Antes e depois do atropelamento houve confrontos importantes entre policiais israelenses e jovens palestinos em Jerusalém, especialmente nos bairros orientais do Shuafat e Isawiya. É a tônica habitual das últimas semanas, quando houve uma escalada da tensão, sobretudo pelas constantes visitas de judeus, colonos em sua maioria, à Esplanada das Mesquitas, e pela restrição do acesso de muçulmanos ao local por ocasião das sucessivas festas judaicas de setembro e outubro. Seis pessoas já foram detidas até agora.

Outro menor palestino, um menino de quatro anos, morreu hoje em Gaza enquanto brincava com um projétil israelense não detonado, lançado durante a Operação Limite Protetor no verão deste ano. Já são 10 os civis mortos por esses artefatos desde o final de agosto.