Parlamento britânico dá sinal verde para que Governo reconheça Palestina

Resolução, com 274 a favor e 12 contra, é apenas simbólica

Debate e votação para pedir o reconhecimento do Estado Palestino. (reuters_live)

O Parlamento britânico aprovou na segunda-feira à noite uma resolução não vinculante e histórica, que pede pela primeira vez ao Governo que reconheça o Estado da Palestina. A resolução, apoiada por 274 deputados e com 12 votos contra, é apenas simbólica, já que não obriga o Executivo de David Cameron a cumpri-la, e cuja postura é a de apoiar as negociações para uma solução de dois Estados.

Mas terá com certeza importantes efeitos no cenário internacional, pelo peso estratégico do Reino Unido e seu posto permanente no Conselho de Segurança da ONU, e depois de, no começo deste mês, a Suécia ter anunciado que será o primeiro membro da União Europeia a reconhecer a Palestina como Estado. Eslováquia, Hungria e Polônia já haviam tomado a mesma decisão, mas antes de entrar no clube europeu. Mais de 130 países já reconheceram o Estado palestino.

O debate surgiu da iniciativa de um grupo de deputados liderado por Grahame M. Morris, do Partido Trabalhista. A resolução votada dizia o seguinte: “Esta Câmara acredita que o Governo deve reconhecer o Estado da Palestina, junto com o Estado de Israel”. A Câmara dos Comuns tem 650 assentos, dos quais 257 pertencem aos trabalhistas.

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O líder do Partido Trabalhista, Ed Miliband, instruiu seus deputados para que votassem a favor. Mas nos últimos dias, o dirigente enfrentou uma pequena revolta entre as alas do partido, que querem que o reconhecimento se dê apenas no contexto de um amplo acordo de paz para a região.

Os deputados conservadores e liberais-democratas tiveram liberdade de voto, e esperava-se que alguns do primeiro grupo e a maioria do segundo votassem a favor. Os membros do Governo declararam a intenção de abstenção, assim como o primeiro-ministro Cameron, que alertou para o fato de que o reconhecimento da Palestina como Estado na Câmara dos Comuns não irá mudar a política sobre o conflito palestino-israelense. “Fui muito claro sobre a postura do Governo, que não vai mudar”, afirmou um porta-voz antes do início da sessão.

O resultado do debate será interpretado pelas autoridades da Palestina e de Israel como um indicador da opinião atual na Europa em relação às reivindicações dos palestinos. Estes têm lamentado o papel do Reino Unido na história do conflito, criticando que seu domínio de três décadas sobre o território e posterior retirada em 1948 permitiram a criação do Estado de Israel.

O apoio do Partido Trabalhista à resolução preocupa Israel, cujo é temor é que um futuro governo da sigla adote o mesmo caminho da Suécia. Londres se absteve na votação de 2012, na qual a Assembleia Geral das Nações Unidas incorporou a Palestina como “Estado observador” com uma esmagadora maioria, reconhecendo assim implicitamente a soberania dos palestinos sobre o território ocupado por Israel em 1967.