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Dilma ataca PSDB, promete plebiscito por reforma e se diz aberta a apoios

No primeiro pronunciamento após o primeiro turno, a candidata à reeleição pelo PT falou a uma plateia de 300 pessoas em um luxuoso hotel de Brasília

Dilma fala sobre o resultado das eleições, em Brasília.
Dilma fala sobre o resultado das eleições, em Brasília. AP

Tão acostumado aos palanques populares, o Partido dos Trabalhadores (PT) se viu alçado ao status de uma agremiação elitista nos últimos anos. Um dos reflexos disso foi o local escolhido pela campanha da presidenta Dilma Rousseff para que ela desse seu primeiro pronunciamento como a vitoriosa do primeiro turno nas eleições brasileiras: o luxuoso hotel cinco estrelas Royal Tulip Alvorada, em Brasília. Em um de seus auditórios, pouco mais de 300 pessoas entre jornalistas e militantes com camisetas vermelhas, bandeiras do PT e flâmulas do movimento LGBT, ouviram a presidenta falar por cerca 22 minutos.

A presidenta prometeu que se for reeleita no dia 26 de outubro fará um plebiscito para realizar uma reforma política, algo que ela não tentou fazer nos quatro primeiros anos de seu mandato. Também teceu críticas às gestões do PSDB, dizendo que o país não quer ver de volta os “fantasmas do passado”. “Eles quebraram este país três vezes, impuseram juros que chegaram a 45%, desemprego massivo, arroxo salarial e jamais promoveram a inclusão social. O povo não quer de volta quem virou as costas para eles, que acabaram com as escolas técnicas, esvaziaram o crédito educativo, que elitizaram as nossas universidades federais”, afirmou e completou: “O povo brasileiro não quer de volta quem chamava o aposentado de vagabundo”.

Vestindo um tailleur branco, com uma calça preta, Rousseff tentou esconder o cansaço, mas sua voz mostrava que ela não era uma pessoa relaxada. Estava rouca. Ela não conversou com os jornalistas, apenas leu o discurso ao lado de seu vice, Michel Temer, e dos presidentes do PT, Rui Falcão, e do PC do B, Renato Rabelo. Fez poucas interrupções na sua fala. Evitou o improviso e o embate de ideias. A plateia cantava músicas da campanha e aplaudia a cada nova proposta da mandatária, que disse representar a mudança que a sociedade precisa e quer. No público estavam ao menos quatro ministros e vários funcionários com cargos comissionados.

A presidenta agradeceu ainda os seus 43 milhões de votos, 4 milhões a menos do que na primeira etapa da eleição de 2010, quando ela derrotou José Serra (PSDB). A vitória de hoje é a nossa sétima vitória contra o PSDB. “Ganhamos nos dois turnos do presidente Lula, na eleição dele [em 2002], dois turnos na reeleição [em 2006], dois turnos na minha eleição [2010] e agora esse primeiro da minha reeleição”, frisou a presidenta.

Além das críticas aos tucanos, ela fez questão de cutucar seus principais adversários ao dizer que se sentia muito feliz em ter vencido em Minas Gerais, seu estado natal que já foi governado por Aécio, e no Rio Grande do Sul, onde construiu sua carreira política. A cerimônia terminou como começou, com o forró “Dilma, coração valente”: “O que ‘tá’ bom a gente vai continuar, o que não ‘tá’, a gente vai melhorar”.

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