Rajoy: “Os escoceses evitaram as graves consequências da separação”

Pedro Sánchez comemora que o autogoverno tenha sido escolhido no lugar da "secessão"

EL PAÍS TV

O presidente do Governo espanhol, Mariano Rajoy, divulgou uma mensagem em vídeo para elogiar o resultado do não escocês à independência e para reforçar como na Escócia votou-se "de forma massiva, pacífica e com um respeito escrupuloso à legalidade do país". "Todos estamos muito felizes que a Escócia continue conosco", disse, porque seus cidadãos evitaram "as graves consequências econômicas, sociais, institucionais e política" que sua separação do Reino Unido e da Europa suporia.

Rajoy comemora que os escoceses continuem contribuindo "para a coesão europeia" e que tenham optado pela "segurança" e não o risco, pela integração no lugar da "segregação" e evitaram o "isolamento" que a independência provocaria. "Nós precisamos uns dos outros e, como europeus, estamos felizes que a Escócia continue conosco".

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O não escocês à independência chega à Espanha no mesmo dia em que o Parlamento da Catalunha se prepara para aprovar a lei para convocar o referendo de autodeterminação de 9 de novembro. O Governo espanhol, como destacou Rajoy em sua mensagem, respira aliviado depois de conhecer o resultado da Escócia, justamente o que desejava e esperava.

Os membros do Governo não esconderam a importância que davam a um não escocês para baixar o ímpeto independentista na Catalunha. O assunto estará sobre a mesa do Conselho de Ministros que acontece hoje pela manhã. A única reação pública até agora foi a do secretário de Estado para a UE, Íñigo Méndez de Vigo, que afirmou "parabenizar" a vitória dos que desejavam a união, já que é "uma boa notícia para todos que, há décadas, estão fazendo a construção europeia". Durante um café da manhã informativo em Madri, organizado pela Fórum Nova Economia, no qual seu colega francês Harlem Désir se apresentou, Méndez afirmou que o não escocês implica em "unir-se" e "resolver os problemas" dos cidadãos.

A primeira voz do partido do Governo foi a de Esteban González Pons, vice-secretário de Estudos e Programas do PP, que garantiu que a mensagem escocesa é a de que é tempo de "política, diálogo e moderação e não de rupturas e separações". Pons insistiu na rádio espanhola SER que a consulta foi feita dentro da lei e afirmou que agora se inicia um processo de descentralização no Reino Unido que a Espanha observará "com interesse".

O líder do PSOE, Pedro Sánchez, também compareceu à coletiva de imprensa nesta sexta-feira para falar sobre a consulta britânica. "O resultado da Escócia nos permite tirar conclusões: o país disse sim à unidade e a um futuro juntos. Disse não ao imobilismo e à dúvida", afirmou. Depois reforçou: "a Espanha vive uma crise de Estado na Catalunha. Peço coragem ao senhor Rajoy. Peço que iniciemos um tempo de mudança e que reformemos a Constituição".

Na rádio Cope, Sánchez já havia afirmado que os escoceses optaram pelo "autogoverno" e não pelo "imobilismo" ou pela "secessão". "A Escócia escolheu compartilhar seu futuro com o Reino Unido". Não obstante, avisou que "é preciso ter cuidado" com os referendos, porque a votação "não inclui a heterogeneidade da população".

A vice-presidenta do Governo, Soraya Sáenz de Santamaría, expressou que o processo escocês não é comparável ao catalão. "Na Escócia manifestaram seu voto de acordo com o procedimento legalmente estabelecido. O que sempre deve ser respeitado é o cumprimento de nossas regras democráticas", afirmou durante uma coletiva após o Conselho de Ministros.

Na Espanha, acrescentou Santamaría, "as decisões sobre a soberania do povo espanhol devem ser adotadas, de acordo com sua Constituição, pelo povo espanhol em seu conjunto". E encerrou dizendo que um referendo de autodeterminação não é possível porque as leis devem ser respeitadas.

A deputada do UPyD no Congresso, Irene Lozano, comemorou a vitória do não na Escócia e disse que a votação de ontem demonstrou que, em um mundo "interconectado", tudo o que acontece afeta a todos, e por isso o que diz respeito à autonomia ou independência da Catalunha deveria ser decidido "por todos os espanhóis".

"É uma grande alegria que essa ruptura não tenha acontecido, apesar de ter sido apontada nos últimos dias por algumas pesquisas. Isso fez com que toda a Europa prendesse a respiração quando a votação começou ontem, temendo que a independência pudesse acontecer".

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