Referendo da independência escocesa

Os jovens preferem a independência e os mais velhos, a união

4,3 milhões de eleitores residentes na Escócia se registraram para votar

Jovens eleitores deixam uma zona eleitoral nesta quinta-feira.
Jovens eleitores deixam uma zona eleitoral nesta quinta-feira.Mark Runnacles (Getty)

Chegou a hora. Nesta quinta-feira, 4.285.323 pessoas maiores de 16 anos residentes na Escócia devem comparecer às urnas entre 7h e 22h (3h às 18h em Brasília) para responder a uma pergunta: “A Escócia deve ser um país independente?”. Por enquanto só há duas certezas: a de qualquer coisa pode acontecer e a de que o comparecimento será alto – o mais alto de toda a história do Reino Unido, espera-se. Das 14 pesquisas de intenção de voto divulgadas neste mês, 12 deram vitória ao “não”, ou seja, à permanência na União (apesar de, nas últimas semanas, a vantagem ser por uma margem bem estreita).

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Em uma eleição normal, esses números poderiam servir de base para um prognóstico razoável. O problema é que nesta ocasião, diferentemente de pleitos comuns, não existe uma série histórica que apresente números para comparação. Por isso, a confiabilidade da pesquisas, especialmente quando indicam uma diferença tão apertada, é ainda mais relativa que o habitual. Estas são algumas pistas sobre os 4,3 milhões de eleitores que estão com a palavra.

Indecisos

Até poucos dias atrás, as sondagens indicavam que, apesar da intensidade da campanha, quase uma em cada cinco pessoas ainda não sabia em que iria votar. As pesquisas não mostraram um perfil claro e diferenciado do indeciso, mas há mais mulheres indecisas do que homens. E, entre os indecisos que acabaram se decidindo, dois contra um migraram para o “sim” e devem votar a favor da independência.

Salto para o “sim”

O apoio ao “sim” cresceu nas últimas semanas da campanha. Em todas as faixas etárias, exceto entre os maiores de 60 anos, houve aumentos a favor da independência. O presidente do instituto de pesquisas YouGov, Peter Kellner, descreveu na semana passada, a um pequeno grupo de jornalistas estrangeiros, o perfil do eleitor que, na reta final, mudou do “não” para o “sim”: “Mulher, com menos de 40 anos, de classe média para baixa e eleitora do Partido Trabalhista em 2011”.

Por idade

A faixa etária mais propensa a votar “sim” é a dos jovens de 25 a 34 anos: 57% deles devem optar pela independência, se excluídos os indecisos, segundo enquete do ICM para o jornal The Guardian, publicada em 12 de setembro. A idade mínima para este referendo é de 16 anos. Os mais inclinados ao “não” são as pessoas com mais de 65 anos (61% deles devem votar pela permanência no Reino Unido).

Por sexo

Apesar do efeito Nicola Sturgeon, a popular vice-líder do governo escocês pelo Partido Nacional Escocês (SNP), as mulheres parecem mais partidárias do “não”. Eliminando as eleitoras indecisas, cerca de 55% optariam pela permanência da Escócia no Reino Unido, segundo a pesquisa do The Guardian. Por outro lado, entre os homens, o “sim” ganha com 52%.

Por regiões

As sondagens não detectam grandes diferenças de intenção de voto entre as distintas regiões da Escócia. As que parecem mais favoráveis ao “não” são as Highlands e as ilhas. A região mais partidária do “sim” é a Escócia central.

Por preferências políticas

Quanto a preferências políticas, os seguidores do Partido Conservador devem votar esmagadoramente no “não” (97%), enquanto apenas 9% dos simpatizantes do nacionalista SNP podem optar pela permanência da Escócia no Reino Unido. Excluídos os indecisos, quatro em cada cinco liberais-democratas preferem o “não”. É entre os trabalhistas que os eleitores devem romper mais com a linha oficial do partido: quase um em cada três votantes do partido de Ed Miliband deve escolher a separação, segundo as diferentes pesquisas.