O papa Francisco chega à Coreia do Sul em sua primeira visita oficial à Ásia

É a primeira de um pontífice a Seul em 25 anos. A Coreia do Norte lança mísseis de curto alcance

O papa Francisco, após aterrissar em Seul.SSONG KYUNG-SEOK(EFE)|vídeo:reuters

O papa Francisco chegou esta quinta-feira a Seul, onde foi recebido pela presidenta sul-coreana Park Geun-Hye, para uma visita de cinco dias na terceira viagem internacional do pontífice e sua primeira à Ásia.

O avião da empresa Alitalia, no qual viajava Francisco, um Airbus A330, pousou na Base Aérea de Seongnam (sul de Seul) às 10h15 hora local (22h15 de ontem horário de Brasília) depois de ter percorrido quase 9.000 quilômetros desde Roma. Em um gesto de distensão, a China aprovou a rota do avião papal sobre seu espaço aéreo. O país asiático tinha negado essa possibilidade a João Paulo II em uma viagem semelhante à Coreia do Sul em 1989. O Vaticano e a China não mantêm relações diplomáticas desde 1951, depois que Pio XII excomungou dois bispos indicados pelo governo chinês que, por sua vez expulsou o núncio apostólico, que se estabeleceu na ilha de Taiwan.

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A comitiva que esperava Jorge Bergoglio na pista de aterrissagem incluiu representantes de vários coletivos, entre eles quatro familiares de vítimas do naufrágio do barco Sewol, a quem dedicou especial atenção e umas palavras de consolo. A mãe de um dos 250 estudantes falecidos na tragédia do último abril começou a chorar quando o papa segurou sua mão e lhe deu os pêsames.

Francisco também cumprimentou vários líderes de associações de deficientes, dois refugiados da Coreia do Norte, dois missionários e dois trabalhadores estrangeiros que vivem no país, entre eles uma mulher boliviana que transmitiu o "carinho" de toda sua comunidade.

O pontífice chegou acompanhado pelo secretário de Estado do Vaticano, Pietro Parolin; o presidente do Pontifício Conselho para os Laicos, Stanislaw Rylkoi e um funcionário da central telefônica da Santa Sé, já que Francisco decidiu premiar assim os trabalhadores do Vaticano.

Durante uma breve troca de palavras na pista de pouso, a presidenta sul-coreana disse a Francisco que esperava que sua visita "sirva para abrir uma época de paz e reconciliação na Península da Coreia" ao que o papa respondeu que chegava a Seul levando esta ideia "bem em conta".

A Coreia do Norte lançou cinco projéteis de curto alcance nas horas antes da chegada do avião papal. Antes de realizar seus novos ensaios militares, o Governo norte-coreano exigiu que Seul cancele seu próximo exercício militar com os EUA, que começará na próxima semana, e elimine as restrições sobre os contatos bilaterais, segundo um comunicado da agência estatal KCNA difundido nesta quinta. A Coreia do Sul pediu que o regime de Kim Jong-un colocasse um fim a suas "provocações irresponsáveis". Norte e Sul continuam tecnicamente enfrentados desde a Guerra da Coreia (1950-53), que terminou com um armistício nunca substituído por um tratado de paz definitivo.

A primeira visita de um pontífice a Seul em 25 anos

O papa Francisco escolheu o carro Kia Soul, um utilitário de tamanho médio muito popular entre os sul-coreanos, para seu transporte em Seul. O pontífice insistiu que queria “o menor” dos carros fabricados na Coreia do Sul e rechaçou outros veículos de alta gama que poderiam ser blindados mais facilmente, segundo fontes diplomáticas e religiosas citadas pela agência local Yonhap. O carro não contará com sistema de blindagem antibalas. Desde que assumiu o papado no ano passado, o argentino descartou o uso do denominado “papamóvel”, um automóvel completamente fechado e feito sob medida, qualificando-o como “lata de sardinha”. Francisco tem optado habitualmente, para seus traslados, por veículos compactos de fabricantes como Fiat, Renault ou Ford, e inclusive já foi visto subir em micro-ônibus com outros cardeais.

Francisco vai celebrar nesta quinta-feira uma missa privada na Nunciatura Apostólica de Seul, onde ficará hospedado durante a visita, antes de se dirigir à Casa Azul da Presidência para se reunir com a chefa de Estado e realizar seu primeiro discurso, antes de uma reunião com bispos locais que finaliza a agenda do dia.

O encontro com 6.000 jovens de 22 países da Ásia na VI Jornada da Juventude Asiática (JIA), um dos pontos fortes da agenda do papa, acontecerá amanhã na Terra Santa de Solmoe, a 120 quilômetros ao sudoeste de Seul, onde nasceu o primeiro sacerdote coreano, Andrew Kim Tae-gon.

O grande encontro com as massas acontecerá no sábado, dia em que Bergoglio participará na beatificação de 124 mártires coreanos na simbólica praça de Gwangwhamun no centro da capital.

Para esse evento estão registados quase 200.000 participantes, embora poderia reunir em seus arredores até um milhão de pessoas segundo a polícia, que preparou um amplo dispositivo de segurança com 30.000 agentes, quase 1/3 do total das forças do país.

Depois de várias missas e encontros com bispos e líderes religiosos, Francisco terminará na próxima segunda-feira uma visita de cinco dias que está sendo considerada histórica, já que é a primeira vez que um papa visita a Coreia do Sul em 25 anos. A última foi a de João Paulo II em 1989.

A Coreia do Sul é, depois das Filipinas, o país asiático no qual o catolicismo tem mais peso, com 5,4 milhões de fiéis que representam mais de 10% da população, segundo dados da Arquidiocese de Seul.

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