ELEições 2014

“Preparamos as bases para retomar o crescimento”, afirma Dilma

Em encontro com representantes do setor privado, a presidenta diz que as dificuldades atuais ainda são ecos da crise global

Dilma Rousseff, nesta quarta-feira em Brasília.
Dilma Rousseff, nesta quarta-feira em Brasília. UESLEI MARCELINO (REUTERS)

A presidenta Dilma Rousseff enfrentou a tarefa ingrata de defender a sua política econômica, diante de uma plateia de 500 empresários que acompanharam nesta quarta-feira o evento Diálogos com a Indústria, promovido pela Confederação Nacional da Indústria (CNI). Rousseff foi a última a a fazer a exposição, depois de os seus adversários na corrida eleitoral terem criticado o seu programa de Governo. Por isso, a presidenta disse que a sua situação é diferenciada. “Eu tenho que dizer o que eu fiz, não só o que vou fazer. Se eu fiz, eu sou capaz de fazer”, argumentou ela, que esteve ao lado do vice-presidente, Michel Temer. Ela lembrou que em seu governo houve desoneração de tributos para o setor privado, e que houve crédito subsidiado para que a indústria pudesse investir.

A presidenta insistiu que os empresários não podiam se deixar arrastar pelas avaliações pessimistas, “sem considerar os fundamentos da economia”. “Enfrentamos a crise de hoje com fundamentos sólidos no que se refere ao câmbio. Enfrentamos esse processo para impedir que a crise significasse uma deterioração das relações sociais e, portanto, políticas do país. Não teve desemprego.” Sobre o caso específico da indústria, Rousseff alegou que durante as crises o setor industrial é sempre um dos que mais sofre. “É bom lembrar que não só nos protegemos da crise como também preparamos a base para a retomada do nosso crescimento. Nós não desorganizamos a economia como se fazia no passado.”

Os empresários, no entanto, vivem um momento difícil com a economia andando em ritmo lento. O Índice de Confiança da Indústria (ICI), calculado pelo Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas (FGV/IBRE), recuou pela sétima vez em julho, chegando a 84,4 pontos, o menor nível desde abril de 2009, (quando estava em 82,2 pontos).

Durante o encontro, os empresários pediram um ambiente de negócios mais favorável. Rousseff defendeu os incentivos dados pelo seu Governo à indústria de petróleo, por exemplo, e à infraestrutura. Mas, admitiu que não estava feliz com o ritmo do desenvolvimento atual. “Não havia investimento no Brasil.”, disse. Ela afirma que houve um aprendizado importante com os programas de investimento em infraestrutura implementados desde o Governo Lula, assim como no programa de concessões. “Se você me perguntar ‘é preciso avançar ainda mais?’. Eu te direi: é preciso avançar ainda mais.”