Morre o responsável pela luta contra o ebola em Serra Leoa

O médico Umar Khan contraiu a doença na semana passada

O doutor Umar Khan no dia 25 de junho de 2014.
O doutor Umar Khan no dia 25 de junho de 2014.STAFF (REUTERS)

Umar Khan, o médico responsável pela luta contra o ebola em Serra Leoa, faleceu nesta terça-feira depois de ter se contagiado pela doença na semana passada, segundo informou o chefe médico do país, Brima Kargbo. Khan, de 39 anos, era considerado um herói nacional por tratar mais de uma centena de pacientes infectados pelo vírus.

O médico ficou doente na semana passada, embora, concretamente, não se saiba como ocorreu o contágio. Segundo seus companheiros de trabalho, Khan era muito meticuloso e sempre usava macacão, luvas, máscara e sapatos especiais quando atendia os pacientes. Além disso, segundo cita a Reuters, que visitou o centro de tratamento de Kenema (Serra Leoa) e falou com o médico, ele havia instalado um espelho, que chamava de policial, em sua sala, para poder inspecionar-se em busca de buracos ou exposição depois de entrar em uma área de isolamento.

Nessa mesma entrevista, Khan se declarou preocupado com sua saúde. “Nós, trabalhadores sanitários estamos propensos ao contágio porque somos o primeiro ponto de contato com os doentes”, assinalou.

Da mesma forma, Kent Brantly, um médico norte-americano de 33 anos, foi contagiado enquanto combatia a doença em Monróvia (Libéria), segundo informou um de seus colegas para a AFP nesta terça-feira. Brantly encontra-se nas primeiras etapas da doença, mas está debilitado, informa a agência.

A epidemia de ebola desatada na África ocidental este ano acabou com a vida de mais de 670 pessoas até o momento. Os países afetados são Guiné, Libéria e Serra Leoa, embora recentemente um homem tenha falecido na Nigéria. É a pior epidemia do vírus da história com mais de 1.200 infectados.

O pânico está se espalhando pelos países mais afetados e nas últimas semanas estão acontecendo ataques a ONGs e equipes médicas especiais que acudiram os hospitais das cidades com mais infectados. O medo e o desconhecimento fazem com que uma parte da população culpe os médicos pela propagação do vírus, como aconteceu em uma recente agressão a uma equipe de Médicos Sem Fronteiras.

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