conflito no oriente médio

Benjamin Netanyahu: “Não existe uma guerra mais justa do que esta”

O Exército israelense está preparado para uma operação ainda mais longa na Faixa de Gaza

Declarações do primeiro ministro israelense.

Nem trégua não declarada, nem calma por calma, nem um dia mais de pausa humanitária... O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, abandonou nesta segunda-feira a linguagem dos últimos dias e voltou a defender ardorosamente a ofensiva contra Gaza. Em um discurso transmitido pela televisão para todo o país, defendeu que "não há guerra mais justa que essa", mudando sua fala recente ao usar a palavra maldita: guerra. Confirmou que seu Exército está preparado para uma operação ainda mais longa – já dura 21 dias – e que "não vão parar" até conseguirem seu objetivo essencial: a "neutralização dos túneis" das milícias. É a primeira fase da desmilitarização total da Faixa exigida por Israel.

Netanyahu reconheceu que é necessária "paciência" para abordar a "batalha contra os terroristas". Nem uma palavra sobre as negociações no Egito. Mandou uma mensagem para a comunidade internacional, de quem exigiu que em vez de demandar mais fornecimentos humanitários para Gaza, lhe deixem "inspecionar" tudo, entenda-se isto da maneira que quiser. Seu discurso, breve e contundente como de costume, teve mensagem de ânimo para a população. "Sabíamos que viriam dias difíceis", ressaltou.

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O primeiro-ministro falou pouco mais de uma hora depois que quatro israelenses morressem vítimas dos disparos de morteiros, a pouco mais de dois quilômetros da fronteira com a Faixa. Outras seis pessoas ficaram feridas, pelo menos duas em estado grave. Não existe sistema de alarme para um morteiro, o que explica o fato das pessoas não terem corrido para buscar um refúgio. É o segundo ataque desta natureza durante a ofensiva. Ocorreu em campo aberto, em um ponto no qual se concentrava uma multidão. Ainda não se sabe se tratavam-se de curiosos que aparecem na região para ver o bombardeio ou familiares que foram visitar soldados, desobedecendo a ordem de não o fazer.

Por um túnel, segundo Peter Lerner, o porta-voz do Exército, vários milicianos do Hamas entraram em Israel na tarde de ontem. Cinco foram "abatidos" e um número indeterminado conseguiu escapar. Vários soldados ficaram feridos. O ataque se deu no kibutz de Nahal Oz, na região sul. As sirenes que avisavam o lançamento de foguetes se ouviam além de Tel Aviv, em Hadera e Cesareia, a 125 quilômetros de Gaza. Essa distância não era alcançada desde antes do início da invasão terrestre.

A febre em Gaza, além disso, continua contagiando a Cisjordânia e o leste de Jerusalém. Ontem, 45.000 palestinos se concentraram nos arredores da Esplanada das Mesquitas, no primeiro dia de Eid, após o fim do Ramadã. Eram fiéis a caminho da oração que, também, levavam bandeiras palestinas – vetadas na cidade pelas autoridades israelenses – e camisetas com lemas de apoio ao Hamas, algo nada comum na cidade. Seus gritos eram de dor pelos mortos na Faixa, mas também de apoio a muqawana, a resistência. A multidão se dispersou sem incidentes.

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