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O Uruguai nega asilo para uma ativista refugiada no consulado

A advogada Eloísa Samy Santiago, procurada pela Justiça, fez o pedido ao país vizinho alegando "perseguição política"

Eloisa Samy Santiago em uma imagem do Facebook.
Eloisa Samy Santiago em uma imagem do Facebook.

O consulado do Uruguai no Rio de Janeiro negou na noite desta segunda-feira o pedido de asilo político feito pela advogada Eloísa Samy Santiago, uma das 23 pessoas acusadas de formação de quadrilha sob mandado de prisão preventiva, segundo seu advogado, Rodrigo Mondego. Com Samy, considerada agora foragida da Justiça, também estavam, no escritório consular uruguaio do Rio, os ativistas David Paixão e Camila Nascimento, ambos de 18 anos.

A advogada esquentou a polêmica sobre as prisões preventivas ao refugiar-se no consulado do país vizinho e solicitar asilo político. Segundo o advogado da ativista, Samy se considera uma "perseguida política no Estado do Rio de Janeiro" e bateu à porta do Uruguai "porque tem medo e porque esse país é vizinho, tem uma tradição democrática e libertária, com um presidente que foi preso político durante mais de uma década".

A Polícia Civil do Rio interceptou uma chamada telefônica entre os dois jovens, Paixão e Nascimento, na qual comentavam descontraidamente um ataque a um policial militar com um coquetel molotov durante uma manifestação. Apesar de seus nomes não constarem na lista dos 23, ambos temem que esta seja ampliada pela justiça do Rio nos próximos dias.

Na porta do prédio, agentes da Delegacia de Repressão de Crimes Informáticos (DRCI) da Polícia Civil montaram guarda para prender Samy caso o Uruguai recusasse o pedido, mas deixaram o local por volta das 17h. Ao lado de policiais à paisana, dezenas de ativistas se solidarizam com a advogada em plena rua com cartazes nos que se leem mensagens como "Viva Mujica, viva os tupamaros".

Segundo Mondego, Samy foge de uma perseguição que se circunscreve "ao Estado do Rio de Janeiro e não tem nada a ver com o Estado brasileiro. Por isso é um assunto difícil de analisar do ponto de vista do direito internacional".

Segundo as investigações da Polícia Civil, apoiadas pela Promotoria, Samy seria uma das organizadoras de alguns atos violentos no Rio. Segundo a denúncia, a advogada assessorava legalmente encapuzados radicais, participava ativamente dos atos de protesto, prestava apoio logístico e inclusive realizou reuniões de grupos radicais em seu apartamento.

Segundo os advogados que prestam assistência aos 23, uma nova petição de habeas corpus está sendo tramitada para que todos eles possam responder em liberdade à acusação de formação de quadrilha. Cinco, dentre eles Elisa Quadros, Sininho, apontada pela polícia como a principal líder do grupo, já estão detidos no presídio de Bangu. Outros 17 ativistas continuam foragidos da Justiça.