O movimento islâmico Hamas assume o lançamento de foguetes contra Israel

Três dos seis israelenses detidos por matar um palestino confessam o crime

Ao menos sete milicianos do Hamas morrem depois de um bombardeio israelense na faixa de Gaza. (reuters_live)

Três dos seis israelenses detidos por queimar vivo o jovem palestino Mohamed Abu Jadair confessaram sua implicação no crime. Os suspeitos, entre os quais há menores de idade, são ultradireitistas judeus que mataram o menor como represália por um triplo assassinato na Cisjordânia, atribuído por Israel ao grupo islâmico. Nesta segunda-feira, continua em vigor uma ordem de sigilo judicial sobre os detalhes do caso, incluindo a identidade dos detidos, que, segundo a imprensa, pertencem a grupos ultraortodoxos violentos em Jerusalém. Os detidos fizeram a reconstituição do sequestro para ajudar na investigação judicial dos fatos. A polícia apura, além disso, se os presos participaram na terça-feira passada no sequestro frustrado de um menino palestino de nove anos, muito perto do lugar onde, no dia seguinte, Abu Jadair desapareceu.

O primeiro-ministro israelense, o conservador Benjamin Netanyahu, telefonou para a família do adolescente palestino. Prometeu que os suspeitos responderão à Justiça: “Sobre eles recairá todo o peso da lei; denunciamos esse comportamento brutal, o assassinato do seu filho é abominável e não pode ser aceito por nenhum ser humano”, afirmou. O Shin Bet, serviço secreto interno de Israel, desaconselhou uma visita do presidente Shimon Peres à família do menino assassinado, que pertence a um grande clã no bairro palestino de Shuafat, em Jerusalém Oriental. A rua principal do bairro, cenário de batalhas campais entre manifestantes palestinos e soldados da tropa de choque israelense desde que o cadáver do garoto foi achado, na quarta-feira passada, apresenta um aspecto tranquilo e até ordeiro. Pela primeira vez em vários dias, a polícia israelense foi até o centro de Shuafat sem encontrar resistência.

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Enquanto essa calma frágil voltava a Jerusalém, Israel mobilizou mais 1.500 soldados na fronteira com Gaza e endureceu o tom de seu discurso com relação aos foguetes e morteiros lançados a partir do território palestino – disparos cuja autoria o Hamas assumiu. Segundo fontes do Exército, os milicianos dispararam 50 foguetes e granadas de morteiro. Durante a noite de ontem, nove palestinos morreram violentamente em Gaza, incluindo sete militantes do Hamas. A força aérea israelense nega que a destruição de um dos túneis de contrabando usados pelo Hamas, incidente no qual morreram seis membros do grupo islâmico, tenha sido decorrente de um dos nove bombardeios realizados na madrugada. O Hamas havia assegurado à agência palestina Maan que o colapso se deveu a um ataque aéreo. Israel diz, por sua vez, que foi um acidente fortuito, quando os militantes manipulavam explosivos.

As Forças Armadas de Israel admitem terem realizado nove bombardeios noturnos contra 14 lançadores de foguetes e outros projéteis, no norte da Faixa de Gaza. Outros três milicianos palestinos, um do Hamas e dois de outras organizações, morreram nos bombardeios, que, segundo fontes de Gaza, também atingiram o sul do território autônomo. Isto elevou a nove o número total de vítimas mortais e fez desse dia um dos mais sangrentos desde a grande operação militar israelense Pilar Defensivo, no final de 2012.

O Exército israelense diz agora que “se prepara para um desenrolar negativo” da situação em Gaza. Desde quinta-feira, a orientação oficial era de que Israel “responderia com calma à calma”, mas hoje as autoridades assumiram a premissa de que os foguetes foram lançados pelo Hamas e alertaram para uma possível escalada de violência. Não há notícia sobre as negociações para um novo cessar-fogo.

O aumento da presença militar na fronteira com Gaza foi respondida com novas ameaças do Hamas, que conclamou seus seguidores a vingarem a morte de seus milicianos.